Quinta-feira, 13 de Junho de 2013

 

 

A notícia do encerramento da televisão e da rádio públicas na Grécia tem vindo a causar choque e incredulidade por toda a Europa. É o efeito troika concretizado uma vez mais, numa consequência real, palpável, até triste para alguns. A crise que deixa de ser uma ideia vaga e abstrata , utilizada para justificar cortes salariais, desemprego e aumento de carga fiscal. A crise que mais uma vez tem efeitos práticos.

 

Transpondo a situação para Portugal e atendendo à qualidade e escolha de programação da televisão pública, seria assim tão nefasto acabar com este tipo de serviço público? Aliás, nos dias que correm, poderá afirmar-se, sem sombra de dúvida, que a RTP presta um verdadeiro serviço?

 

Senão vejamos: os verdadeiros debates da actualidade fazem-se na televisão privada, as notícias divulgadas pela RTP circunscrevem-se, na sua maioria, a factos ocorridos no território nacional, omitindo factos e acontecimentos relevantes, não apenas a nível europeu, como a nível global.

 

No horário nobre,  dá-se tempo de antena a recém-adultas semi-famosas, presas por tráfico de droga  e que se encontram dispostas a partilhar os seus dramas pessoais , enquanto que na Turquia, França e Síria centenas ou mesmos milhares de outros recém-adultos ou tardios adolescentes morrem ou ficam gravemente feridas diariamente por lutar por ideais e nenhuma relevância lhes é dada, merecendo apenas uma rápida nota de rodapé ou uma peça com duração inferior a 1 minuto.

 

Ora, um serviço público é suposto ser útil e ir ao encontro de necessidades básicas dos cidadãos, pelo menos num estado social de direito. A televisão, enquanto principal veículo de comunicação e informação, se pública e consequentemente financiada pelos contribuintes, deve pautar-se, em quaisquer circunstâncias, pela qualidade da informação e não ceder, como tem sucedido nos últimos anos, a notícias alarmistas e especulativas, porque as audiências assim o ditam. Por outro lado, a televisão deve funcionar como um contributo ao pensamento individual e à formação de uma classe opinativa e informada.

 

É verdade que o pensamento individual dos cidadãos, em Portugal, nunca foi valorizado. Atente-se ao que se passa nas escolas, nas quais se incentivam os alunos a não estudar matérias complicadas, a não serem reprovados para não ficarem traumatizados, a decorar disciplinas, mas não a dissecá-las.

 

A RTP faz o mesmo, permanecendo na mediocridade, ficando aquém no cumprimento dos deveres de formação e de informação que lhe foram acometidos na sua criação.

 

E, atendendo a que o povo, pouco exigente e demasiadamente centradosna sua própria insignificância e escala nacional, continua a fugir para a programação dos canais de televisão e rádio privados (esses sim, sem quaisquer critérios de exigência ou qualidade), fará sentido que mantenhamos a televisão e rádio públicas, ao mesmo tempo que não há verbas para comprar medicamentos para hospitais e que não se prescrevem exames médicos necessários para não engordar a despesa do estado com a saúde pública?

 

Tenho dúvidas, mas posso estar redondamente errada.

 



publicado por A.N às 08:43
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Quando se fala de mimos assume-se quase sempre que estes são direccionados a um terceiro ou que são algo que se oferece mas que fica mal pedir, que estraga, que corrói, que nos torna seres insuportáveis e egocêntricos. É curioso, de facto, especialmente se pensarmos que muitos dos defeitos de muitos adultos é facilmente explicável pela falta de mimo que receberam à nascença. Ou seja, algo que socialmente é quase visto como perverso, é simultaneamente  o combustível que a humanidade necessita para evoluir, para se tornar melhor.

 

Mas não é sobre métodos de melhoramento da personalidade que pretendo falar hoje. Apenas sobre mimo, daquele com que nos devemos brindar a nós próprios de vez em quando.

 

No fim-de-semana passado, decidimos mimar-nos a nós, adultos, nesta casa. A criança , parece-nos, mantém os seus níveis de "estragação" elevados, a julgar pelos beijos lambuzados e repenicados que recebe dos pais, avós, tios e tias.

 

O destino escolhido para um merecido descanso não foi o óbvio - a nossa adorada costa alentejana - mas sim o interior algarvio: Monchique.

Assemelhando-se a uma prima mais nova de Sintra - mas não necessariamente mais pobre - Monchique permite-nos sentir a montanha e a sua frescura e silêncio a apenas vinte minutos do mar.

Como todas as zonas termais, as caldas de Monchique convidam ao silêncio, ao relaxe, a tratamentos aquáticos e sonos descansados.

De há uns anos para cá, as caldas de Monchique têm vindo a ser recuperadas e mantêm-se cuidadas e ordenadas, facto que não deixa de ser paradoxal se pensarmos no atropelo sistemático pelas regras urbanísticas que sempre se viveu na costa algarvia.

 

A escassos metros da chegada às Caldas de Monchique, encontra-se o Longevity Wellness Resort , um resort ecológico onde o bem-estar, equilíbrio e a saúde funcionam como principios basilares daquela instância de luxo. Os tratamentos recomendam-se e são executados por bons profissionais e a oferta é alargada.

 

Piscinas e restaurantes panorâmicos, um staff disponível e conhecedor, refeições leves , mas com sabores ricos e redes confortáveis que convidam a uma boa leitura ao pôr-do-sol.

A ânsia de aproveitar não permitiu tirar fotografias e se bem que as imagens falariam por si, nada como ir conhecer a zona e o resort para poder falar sobre os mesmos. E, já agora, uma vez andando por aqueles lados, não perder o Restaurante "A Charrete", no centro de Monchique !

Vale a pena.

 

Recuperados de corpo e alma e cheios de mimo auto-infligido voltámos à vida real, com a certeza de que teremos que repetir o programa.

 



publicado por A.N às 08:24
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Terça-feira, 28 de Maio de 2013

É curiosa a perspectiva sob a qual as questões de mobilidade da cidade de Lisboa são encaradas. Temos colinas íngremes, ruas estreitas e curtas avenidas e talvez sejam essas as vicissitudes que condicionam o pensamento das grandes mentes que definem a circulação na capital e que dão primazia máxima ao conforto dos automóveis que por cá circulam.

 

Para um peão ou um residente das zonas imediatamente periféricas ao centro da cidade (leia-se, Marquês, Castilho e Rato), a sensação incómoda com que se fica é que estorvamos. Estorvamos o trânsito das vias rápidas em que as nossas ruas residenciais se transformaram, numa tentativa simpática e hipotética de dar algum descanso ao Marquês e à Joaquim Augusto de Aguiar e permitir vistas desafogadas aos turistas, estorvamos os senhores que têm pressa de chegar ao escritório, estorvamos ao querer estacionar perto de casa, mas a Cãmara Municipal decidiu que a zona será de jardins e os carros, bom, que fiquem nas garagens ou noutro sítio qualquer, mas por favor, não incomodem.

 

Vivo numa zona sem metro, praticamente com apenas dois autocarros.

 

De um ano para o outro, instalaram nas redondezas uma universidade, um hospital, um centro-comercial e muito caos.

A minha rua transformou-se num delírio automobilistico , com as não saudosas obras do túnel das Amoreiras.

Atropelamentos sucedem-se, estacionamentos em terceira fila também.

Ninguém faz rigosamente nada. Nem sequer parar nas passadeiras.

É uma maçada, lá está. Uma grande maçada licenciar edifícios e depois ter que lidar com o facto de aqui viverem e trabalharem pessoas.



publicado por A.N às 07:21
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Quarta-feira, 22 de Maio de 2013



publicado por A.N às 21:00
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Isto de voltar ao mundo dos adultos tem que se lhe diga.

Por instantes, caí na ingenuidade de pensar que o regresso era bom, que serviria de lufada de ar fresco, que seria desafiante e essencialmente menos rotineiro.

Volvidas três semanas, cai a mancha no mais alvo pano: no mundo dos grandes o ar não é fresco, mas pesado; as rotinas não são desafiantes, mas simplesmente angustiantes, a rotina acaba por se instalar de qualquer maneira, desta feita não sob a forma de cinco refeições esquematizadas em rotinas inquebráveis, mas sob a forma de emails, bandeiras prioritárias, opiniões jurídicas e respetivos imbróglios.

 

O mundo dos adultos não nos faz sentir grandes: apenas nos dá vontade de voltar a ser pequeninos. O mundo dos adultos é complicado porque as pessoas falam muito e na maior parte das vezes não dizem nada.

 

O mundo dos adultos é cocó e qualquer dia não me importava nada de rebentar a bolha.



publicado por A.N às 20:51
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Terça-feira, 21 de Maio de 2013

 

 

 

 

 

Mas estivemos muito ocupados.



publicado por A.N às 18:39
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Domingo, 5 de Maio de 2013

Constatações do dia:

 

Dia dos Namorados: o dia que apenas se valoriza quando se está solteiro.

 

Dia da Mãe: o dia que só sabemos que existe quando estamos na escola primária ou quando temos um filho.



publicado por A.N às 22:08
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A primeira vez que vi a série "Sexo e Cidade" era caloira na faculdade ou talvez ainda estivesse a terminar o liceu, não consigo precisar.

Via todos os episódios a sonhar com Cosmopolitans que nunca tinha bebido, enquanto sonhava - provavelmente com metade da população feminina no mundo - em ser uma das quatro senhoras, tão independentes, estilosas, mundanas, bem sucedidas e a viver uma vida tão adulta.

 

Mais tarde, revi todas as temporadas. Muitos episódios foram vistos como se da primeira vez se tratasse. Afinal, com dezoito anos e apesar de muitas certezas, não se sabe nada da vida, muito menos de pessoas. Mas uma coisa mantinha-se igual: a curiosidade pela vida em Manhattan, de pessoas muito adultas.

 

A Fox Life está a passar novamente toda a série e constato que as quatro senhoras, na primeira temporada, têm, supostamente, trinta e poucos anos e já nada parece tão adulto.



publicado por A.N às 21:47
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Quarta-feira, 24 de Abril de 2013

 

 

 

 

 

 

O piquenique será aqui!



publicado por A.N às 08:56
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Correndo o risco de desiludir quem me lê, por voltar ao tema criançada e temas conexos , cinco meses voaram e chegou a altura de fazer um balanço dos mesmos. Assim, para os menos interessados no tema, bem como para os menos apreciadores de bebés, azar! Mudem de página, voltem para o facebook e esqueçam lá tudo isto que eu entendo-vos. Até há um ano atrás, a criançada não era, de todo, a minha chávena de chá, como dizem os ingleses.

 

 

Quando, durante a gravidez, me questionei acerca do período de licença de maternidade que pretendia gozar, a decisão foi peremptória, tal como o são a maioria das decisões impetuosas e tomadas de forma pouco esclarecida: cinco meses! E mais um para o pai que isto é para se gozar até ao final. Na altura, este período parecia uma enormidade:150 dias para concretizar tarefas de casa adiadas sine die, 150 dias para me dedicar, exclusivamente, a um bebé que não conhecia e a uma familia desconhecida que já era minha.

 

Com a chegada do M. a noção de tempo alterou-se definitivamente. Os primeiros dois meses não se sentem (ou se calhar sentem-se demasiado). Encontram-se envoltos em névoa, em dúvida, privação de sono e hipersensibilidade. Foram meses de execução mecânica e desumana de tarefas, motivada por um único pensamento de alento: com o tempo tudo isto melhorará, tudo isto se tornará mais fácil.

 

E assim foi. Tudo se agilizou, as rotinas engrenaram-se, as mudanças sucederam-se.

 

Porém, as tarefas adiadas sine die, assim permaneceram. O que não foi feito antes corre agora o risco de ficar por terminar eternamente. As viagens, as visitas a alguns museus, a contratação de novos fornecedores de electricidade e gás mais baratos e a organização da papelada da casa continuam por picar na minha lista de to do´s.

 

Os dias passaram a organizar-se em listas, notas, alertas no telemóvel, emails com estrelinhas.

As tarefas cedem aos mimos, aos passeios na praia, à exaustão do final do dia. A disponibilidade, física e psicológica, ficou comprometida. Os livros demoram meses a ser lidos, as revistas e jornais ficam a meio, o caos é permanente.

 

Agora a vida real está à porta e em casa, durante o horário de trabalho, outra vida se desenvolverá na minha ausência. O M. sentar-se-á pela primeira vez sem que eu assista, rebolará e quem sabe gatinhará, pela primeira vez, na minha ausência. Não é dramático, claro, mas dá pena e custa muito, mais do que alguma vez imaginei, mais do que alguma vez pensei que pudesse custar.

E, agora, olhando para trás, cinco meses parecem ridículos, pequeninos, demasiado curtos, especialmente porque não foram pensados para executar tarefas, actualizar listas de tarefas ou cumprir calendários, mas apenas para aproveitar e gozar o crescimento de um pequeno ser que não precisa de muito, para além da nossa total disponibilidade.

 

Que recomecem os jogos. O balanço está feito e é positivo.

 

 



publicado por A.N às 08:23
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Carimbos no passaporte
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