Domingo, 6 de Novembro de 2005


No que concerne Frida Kahlo, nunca se consegue destrinçar até onde vai a obra e começa a própria vida novelesca da pintora.
Não fossem as suas obras, afinal, a sua vida.
Mas será igualmente correcto dizer que a sua vida, são as suas obras.
Mais do que um qualquer Diego Rivera ( e respectivos murales), mais do que um qualquer acidente rodoviário, mais do que qualquer partida do destino.
Os seus quadros são fortes, provavelmente desagradavelmente cruéis e explícitos, unindo de forma macabra o real e o fantástico.

Mas, no final de contas, qual a verdadeira razão para o seu inquestionável sucesso?
A sua vida pessoal? A sua personalidade invulgar?
Ou o simplesmente inovador e rasgante surrealismo das suas obras?
Referindo-nos a Frida, conseguimos alguma vez dissociar a obra da própria pintora?
Ou estaremos apenas perante a simbiose mais bem sucedida do mundo das artes?
O carisma de Frida ainda hoje atrai multidões; multidões que aguardaram no Whitney Museum de Nova Iorque, que enfrentaram o metro de Londres em Julho para a verem no Tate Modern, que fizeram 700 km para a espreitar na Fundación Caixa Galícia em Santiago de Compostela.
Confesso, porém, que a exposição me soube a pouco.
Talvez a espera tivesse sido muito longa e as expectativas demasiado elevadas.
Ou talvez já tenha tido o privilégio de ver tantas das suas obras ao vivo, que as minhas exigências fossem, de facto, muito maiores do que aquelas que tinha há uns tempos atrás.
Estão disponíveis, na Fundación Caixa Galícia ,os quadros do Museu Dolores Olmedo, da Cidade do México e inúmeras fotografias de inquestionável qualidade .
Por momentos, sabe bem abandonar a perspectiva alucinada e subjectiva de Frida e deixar que a objectiva de uma máquina fotográfica, revele a sua própria verdade e luz sobre esta mulher que inspirou livros, filmes e, sem dúvida alguma, a Chapa e o seu Mundo.


Posted by Picasa


publicado por A.N às 18:55
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6 comentários:
De sara a 8 de Novembro de 2005 às 17:57
Um poeta!


De Jacinto Fermín a 8 de Novembro de 2005 às 15:20
Se o eléctrico não tivesse virado
a Frida tal vez não tivesse pintado
e Santiago nunca tivéssemos visitado


De izzolda a 7 de Novembro de 2005 às 11:51
Tens razão, soube a muito pouco, a exposição!
Acho que a vida é sempre indissociável da arte, por mais que alguns possam tentar 'disfarçar' :)


De Rit@ a 7 de Novembro de 2005 às 08:59
Seria? A pintura dela é um fruto do acaso? Hmmm...Talvez não tivessemos visto "aqueles" quadros, mas ela já pintava antes e o talento não surge do nada, muito menos dum acidente. Não sei...isto são especulações. Quem sabe se, de facto, não tivesse acabado uma respeitável dona de casa, mãe de filhos, calma e submissa, como as outras da sua época??!!


De Anónimo a 6 de Novembro de 2005 às 23:46
"Mais do que um Diego Rivera" Com isto até concordo, mas não tivesse sido aquele acidente e se calhar nunca tinhamos visto um quadro dela...


De sara a 6 de Novembro de 2005 às 20:00
Hoje conheci uma rapariga que diz que "até gosta de arte e tal, não tem é muita paciência para ir a museus e ficar parada (especdada, a tradução exacta)a olhar para os quadros". Gosta de saber que passou por uns Degas, Monets, Gaugains, Van Gogh diz-lhe alguma coisa. Mas anda cansada, prefere coisas... menos cansativas. Saio deste filme directamente para O Mundo da Chapa. Ainda que, agora, longe, é mais parecido com o meu.


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