Sexta-feira, 14 de Outubro de 2005
Reuniram-se no Atrium Saldanha ilustres anónimos ( ou nem tanto!), teoricamente desinibidos no uso da palavra, mas provavelmente apenas naquelas que vêem saltar no écran do computador e que se propagam algures na blogosfera.
Presentes estavam o círculo dos conhecidos, o das tímidas, o dos stalkers e fiéis leitoras, o das infantis que disfarçavam risadas e proferiam comentários mordazes, o dos homens muito machos que passaram por lá para lançar umas larachas e umas quantas perguntas indiscretas e incomodativas.
A vida paralela da blogosfera personalizou-se.
As assinaturas virtuais ganharam corpo, voz, expressões e entoações.
Por um lado, correu-se o risco de se desvirtuar a essência do blog: o estar tão íntimo e ser-se um perfeito desconhecido.
Por outro, ali estavam almas que se identificavam nas palavras das oradoras, que assentiam com as cabeças perante os seus testemunhos, que se entreolhavam com a curiosidade típica de quem se expõe e assiste, confortavelmente, à exposição dos demais.
Analisaram-se estilos de escrita, contabilizaram-se visitantes, focaram-se as principais diferenças nas escolhas das temáticas pelos bloguistas masculinos e femininos; colocou-se em causa a necessidade de existência (ou não) de uma caixa de comentários; catalogaram-se blogues como “reivindicativos”, “pioneiros”, “ordenados”, “fúteis” ou “introspectivos” e , como não poderia deixar de ser, uma vez que o tema eram as mulheres na blogsfera, falou-se muito muito muito para não se dizer nada.
Desse livre arbítrio vivem os blogues, dessa liberdade de poder dizer-se tudo o que se quer e não quer, sem autorização ou qualquer tipo de restrição, com ou sem lógica, colocando-se em pé de igualdade temas como a alteração das políticas fiscais ou o sismo no Paquistão e a maquilhagem à prova de água, o golo do Hugo Viana, a escrita da Rebelo Pinto ou a nova colecção da Mango.
Foi bom sair do cyberespaço e partilhar a realidade das sete da tarde, em Lisboa, com pessoas que se dedicam ao mesmo hobby ( ou será um projecto? ou quiçá um livro?) com igual devoção e grau de insanidade.
Mas não pude deixar de me sentir um pouco deslocada, situada algures entre o habituée das sessões dos alcoólicos anónimos (“Olá, eu sou a Chapa, tenho um blog e não posto há mais de 3 dias!”) e a elite sofisticada, cuidadosamente vestida e maquilhada que se cumprimenta de beijinho e domina a blogosfera desde os seus primórdios( “Oh querida, lembra-se de quando começámos?")
Devo confessar, porém, que aqui sentada sob o anonimato do meu Mundinho, sinto-me muito mais confortável!

É que às vezes o "faz-de-conta" é bem mais agradável e os templates tornam tudo mais agradável.


publicado por A.N às 00:05
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6 comentários:
De Rit@ a 14 de Outubro de 2005 às 17:29
Hehehe! Acho que éramos as únicas 4 criancinhas gigantones naquela livraria. Gostei muito de conhecer a Vieira pessoalmente. Os seus blogues são o máximo! Palavra de Chapa ( ou aquela que disfarçava as risadas quando desatava a correr para fora da Almedina!)


De vieira do mar a 14 de Outubro de 2005 às 17:22
Epá, que eu enfiei a carapuça do "infantis que disfarçavam risadas"...


De Mila a 14 de Outubro de 2005 às 14:38
Isso agora... São outros 500!!
Voltei cá e... Charam!....
Temos relógio a horas!!!
Agora tenho que arranjar outro motivo para te melgar!!
O que há-de ser?


De Rit@ a 14 de Outubro de 2005 às 11:42
As palavras "amargas" direccionadas para o Jacinto, guardo-as para mais tarde, para serem proferidas de forma histérica, apaixonada e descontrolada, porque eu cá sou uma gaja com G grande e uma bloguista com o ego ferido. Por isso...me aguarda meu amigo.
Mila, um muitissimo obrigada pelas palavras simpáticas que tornaram mais doce esta caixa de comentários. Com uma participação tão assídua, simpática e dedicada, acho que já altura de ganhar coragem, subir ao trono e tornar-se uma das princesas desta "esfera". ;)


De Mila a 14 de Outubro de 2005 às 10:00
Agora é que eu percebi onde foste mostrar o teu modelito...
Devo dizer-te que adorei o teu post, foi como se lá tivesse ido!
Até conseguiste que eu soltasse uma gargalhada!
Olha, como diz aqui o nosso "amigo" jacinto fermin, nesta realidade paralela, para mim, tu és uma princesa da blogosfera!


De Jacinto Fermín a 14 de Outubro de 2005 às 09:41
"[...]com igual devoção e grau de insanidade."

I couldn't agree more...

"Devo confessar, porém, que aqui sentada sob o anonimato do meu Mundinho, sinto-me muito mais confortável!"

Mundo virtual, relações virtuais e afinidades virtuais parecem ser muito mais confortáveis e absorventes que o que está físicamente à volta dos bloguistas... A culpa já não é do futebol nem da playstation, mas duma realidade paralela onde são todos reis e princesas, críticos e criticados, onde tudo é permitido sob a tranquilidade do anonimato, com a condição de lhe dedicar o -nunca suficiente- tempo...

E por isso declaro-vos blog e mulher!


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