Quinta-feira, 30 de Setembro de 2010

 

“É urgente uma alternativa” – Crónica de Daniel Oliveira para sportingapoio.com

 

 

Prometeu resolver os problemas financeiros do Sporting. Conseguiu o pior resultado de sempre. O clube está à beira do abismo. E não se percebe onde gastam o dinheiro. Ou talvez se perceba onde não o ganham. Por uma simples razão: quando se desprezam os resultados desportivos despreza-se o ganha pão de um clube.

Prometeu dar ao Sporting vitórias. Conseguiu um quarto lugar e, nesta altura, oito pontos em dezoito possíveis. O pior resultado de sempre desde que uma vitória vale três pontos.

Prometeu devolver a dignidade e o prestígio ao Sporting. Envergonhou-o, vezes sem conta, com declarações adolescentes e incendiárias, tratando os sócios como inimigos.

Rodeou-se de mediocridade, porque é isso que faz quem, inseguro da posição que ocupa, precisa de sentir a sua força na fraqueza dos que o rodeiam.

Prometeu “trabalhar, unir, vencer”. Trabalhou mal, dividiu como poucos e perdeu como não há memória.

Ironia das ironias: um dos piores presidentes da história do Sporting é o primeiro profissional remunerado. E nunca se viu neste clube tanto amadorismo. Tudo, desde as contratações à escolha dos treinadores, parece ser decidido sem critério que se entenda. O Sporting navega à vista. E o barco está a ir ao fundo.

Está na altura de José Eduardo Bettencourt se demitir. Isto se quisermos evitar a belenização do clube. Mas para que isso sirva para alguma coisa aqueles que se têm identificado com uma oposição interna precisam de escolher uma alternativa credível e digna de respeito. Não será seguramente a repetição do estilo de cabeça de lista das últimas eleições. O Sporting precisa de gente que lhe dê respeitabilidade, não o contrário.  Precisa de gente com rigor, não de populismo e promessas que ninguém, com o mínimo de seriedade, pode garantir que vai cumprir. Precisa de ambição, não de palavras fáceis.

E, acima de tudo, precisa de alguém que faça um corte com o passado recente. Que tire o Sporting das mãos da banca. A ideia de que só quem está próximo dos credores pode conseguir salvar o clube é de uma ingenuidade aterradora. Os bancos tratam do seu negócio. E nos negócios não há amigos, há interesses. O que precisamos é de um presidente que ponha sempre os interesses do clube em primeiro lugar. E que devolva o clube aos sócios e adeptos. Chega de cooptações plebiscitadas. É necessário quem escolha outro rumo.

Mais do que ao Presidente, fica um repto àqueles que se têm destacado pela critica ao caminho que temos seguido desde José Roquette: arranjem uma alternativa em que possamos acreditar. É urgente. Se não queremos, daqui a uns anos, ter de eleger uma comissão liquidatária.



publicado por A.N às 21:39
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