Quarta-feira, 27 de Outubro de 2010

Partir para uma viagem sem quaisquer expectativas é o melhor parágrafo inicial para qualquer história de viajantes.

Existem destinos mais apelativos do que outros, bem como destinos que através de um nível médio de cultura geral conseguimos intuir. Existem, porém, destinos conotados de forma tão negativa com a morte, o terrorismo, o desespero e as catástrofes humanitárias que a falsa segurança da sociedade ocidental nos torna relutantes a visitá-los, retraindo a curiosidade que as viagens, naturalmente, alimentam.

 

Para nós, ateus obstinados, Israel era um desses destinos que não nos fazia suspirar.

Por portas e travessas a mensagem foi passando e experiências díspares, mas genericamente positivas fizeram-nos estar atentos a uma eventual oportunidade de visitar aquele país e conhecer de perto a paradoxal terra santa, cujos solos ressequidos absorvem, há milhares de anos, o sangue da humanidade.

 

A oportunidade surgiu finalmente em Outubro, o que segundo o guia de viagens que nos acompanhou foi uma vantagem, sendo essa uma das épocas mais aprazíveis para visitar aquela região do globo.

Sem expectativas, pelo menos do meu lado que pela primeira vez voei para aquele país, fiz uma mala parca em roupa mas rica em guias, dicas de viagem e planos pouco estruturados de viagem.

 

O que se seguiu foi a surpresa total: a Tel Aviv que recordava como um ponto assinalado no mapa dos noticiários da altura da Primeira Guerra do Golfo apresentou-se veraneante, luminosa, calorosa e húmida, fértil em esplanadas, praias e gente saudável que trocou o café pelos sumos de fruta de take away, que se moderniza sem desprezar os antigos, a história e os episódios sangrentos daquela capital.

 

A cidade emana energia pacifica, sob um manto de frágil e ilusória estabilidade.

Não fora pelos helicópteros que a sobrevoam incessantemente, os testes dos alarmes de ataque que arrastam os locais para as ruas para assistir ao pânico dos turistas mais desatentos, os sucessivos controlos de armas e explosivos à entrada de edíficios públicos e as metrelhadoras pousadas, desleixadamente, na mesa dos cafés enquanto o seu proprietário de dezoito anos acende um cigarro, quase que ousariamos pensar estar no Rio de Janeiro que não conheço, mas que imagino como a cidade de praia por excelência.

 

A descoberta partiu de Tel Aviv que apesar de ser significativamente menos avassaladora que Jerusalem, merece uma visita. Pausada, descontraída e atenta, nem que apenas numa perspectiva comparativa da antagónica experiência dos seus territórios circundantes.

 

O final do dia, extenuante e pegajoso dos 35.º graus de temperatura média, culminaram com hummus e pão de pita que nos permitaram recobrar as forças que na mesma tarde, a salinidade do Mar Morto nos tinha roubado.

Mas essa história fica para outras núpcias.

 

 

 

 

 

 



publicado por A.N às 23:50
link | comentar | partilhar

1 comentário:
De Ventania a 28 de Outubro de 2010 às 08:31
Por acaso a mim, ateia obstinada, Israel sempre apelou duma forma quase intuitiva e pouco influenciada por opiniões fundamentadas. Está na lista, há demasiado tempo, e creio que está para breve.
Obrigada pela confirmação que o teu relato trouxe. :)


Comentar post

Carimbos no passaporte
2013:

 J F M A M J J A S O N D


2012:

 J F M A M J J A S O N D


2011:

 J F M A M J J A S O N D


2010:

 J F M A M J J A S O N D


2009:

 J F M A M J J A S O N D


2008:

 J F M A M J J A S O N D


2007:

 J F M A M J J A S O N D


2006:

 J F M A M J J A S O N D


2005:

 J F M A M J J A S O N D


2004:

 J F M A M J J A S O N D


You've got mail
omundodachapa@gmail.com
Check-in

Subscrever feeds