Terça-feira, 15 de Fevereiro de 2011

As avalanches de notícias relacionadas com as mortes solitárias e ignoradas de idosos em Portugal , à semelhança de tantas outras esmiúçadas, polidas, raspadas e  esventradas pelos meios de comunicação social, entediam irremediavelmente qualquer telespectador dos noticiários nacionais.

Não digo que o telejornal deva ignorar estes episódios sinistros e lamentáveis da sociedade actual, nem que nós, portugueses, não possamos/devamos retirar ilações destes acontecimentos.

Porém, restringir essas ilações à inoperâncias das forças de segurança pública ou ao universo caótico e despersonalizado dos serviços de Segurança Social parece-me, salvo melhor opinião, limitativo e irrelevante face ao panorama geral.

Notícias tristes de solidão na terceira idade devem-nos, sim, fazer ter vontade de pôr a mão na consciência e analisar as vítimas de abandono de uma perspectiva mais distante e asséptica.

Devem fazer-nos questionar acerca do porquê da sua solidão;suspeitar de um passado menos correcto ou de atitudes menos louváveis.

Considerando, como sempre, casos excepcionais, parece-me que ninguém está sózinho porque não teve opção ou porque uma cabala universal assim o ditou.

Por vezes as vítimas de hoje, foram agressores no passado e quem sabe até se o caminho da solidão não foi, na realidade, uma opção, para quem, a certa altura da vida, a entrega a terceiros se tornou demasiado dolorosa.

Tomar conhecimento de que nos dias de hoje é possível alguém morrer só, num centro urbano e permanecer esquecida durante seis anos, deve-nos fazer repensar a nossa existência enquanto jovens e no inevitável caminho que teremos, inevitavelmente, que percorrer e no exemplo que queremos deixar para aqueles que um dia, não por obrigação ou dever profissional, um dia terão que se ocupar de nós.

As forças públicas têm o dever de prevenir e remediar catástrofes.

Não o dever de as eliminar.



publicado por A.N às 22:35
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2 comentários:
De allungare il pene a 17 de Fevereiro de 2011 às 14:09
Olá, estou a estudar Português e eu aconteceram em seu blog que bom!


De Teresa a 21 de Fevereiro de 2011 às 15:57
Concordo.
O meu primeiro pensamento, após o horror de saber das notícias, foi no mesmo sentido. Como pode um ser morrer sozinho sem que se dê por isso?! Porque viveu sozinho. E não foi só em relação à família, a solidão estava, tinha de estar, muito alastrada a todas as vertentes sociais que nos envolvem...
Agora as forças públicas também têm responsabilidade. Como é possível que durante 9 anos não se levante a "pensão" e ninguém lançe o alerta? Como é possível arrombar-se a porta porque a casa foi vendida a outrém mas não se pode arrombar para ver o que se passa numa casa que não dá sinal de vida durante 9 anos?


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