Domingo, 5 de Agosto de 2012

A perspectiva de um fim-de-semana de Agosto passado em Lisboa aflige os lisboetas que arriscam sair de casa com temperaturas elevadas. Fins-de-semana de Agosto querem-se passados na praia, de preferência num areal extenso e águas mornas, com caipirinhas ao pôr-do-sol e jantares tardios sob céus algarvios.

 

Imagine-se, então, a minha surpresa ao constatar que durante os primeiros fins-de-semana deste mês a familia do Y. resolveu vir visitar-nos.

Calçadas íngremes, temperaturas atrozes, filas de turistas, o castelo, os pasteís de Belém, Alfama, a Graça, Santa Luzia e o Chiado. Estas imagens, que fazem as delícias de manhãs soalheiras de inverno, são tudo menos apetecíveis na época estival.

 

Vencendo o cansaço, este ano particularmente acentuado, resolvi dedicar-me a uma das tarefas para as quais tenho alguns dotes: ser anfitirã na minha cidade, adiando umas semanas a partida rumo às praias do sul.

 

Depois de nove anos de visitas de familiares e amigos, algumas lições têm ficados quando nos pedem a nossa companhia em visitas a Lisboa:

 

1. Qualquer turista aprecia, depois de um primeiro confronto com duas ou três colinas, um cómodo passeio de carro. Apreciar a condução dos portugueses em ruas lúgubres e estreitas, os estacionamentos no passeio e a desorganização dos sinais de trânsito é um bom cartão de visita com a realidade lisboeta e uma verdadeira experiência para aqueles que procuram mais do que aquilo que encontram descrito em guias turísticos, por viajantes sem pinga de sangue português nas veias;

 

2. Falando em guias de viagem, para surpreender uma visita, não vale a pena repisar os sítios que os guias elegem como obrigatórios na cidade. Ao Castelo, ao Chiado e ao Rossio qualquer turista consegue chegar sózinho. Da mesma forma que numa tarde, apanhando o eléctrico 28, este consegue ficar com uma ideia geral e deslumbrante da cidade, sem grande esforço ou investida de descoberta. Os turistas/visitantes mais exigentes querem conhecer o dia-a-dia dos lisboetas, provar pataniscas com arroz de feijão em tascas recônditas, apreciar uma bebida sofisticada num local sossegado com vista para o rio, ler um livro num jardim ou quiosque frequentado por locais e dar um salto até à Caparica para um mergulho crepuscular.

 

3. Os pasteis de Belém são sempre um sucesso e livre-se quem se esquecer de referir Sintra e os travesseiros da Periquita como paragens obrigatórias numa visita à região de Lisboa. Além disso, um estrangeiro apenas compreenderá a nossa essência depois de dedicar um dos seus dias de visita a experienciar um roteiro gastronómico planeado pelos seus anfitriões ("Primeiro paramos para almoçar marisco, depois sobremesa nos pasteis, uma limonada no Principe Real e um jantar em Alcântara"). Afinal, em Portugal, tudo se passa à volta da mesa e a divisão mais importante de uma casa portuguesa que se preze continua a ser a cozinha.

 

4. Na realidade, nenhum anfitrião lisboeta tem que se esforçar. A cidade por si é tão deslumbrante que ao redescobri-la todos nos convertermos turistas e nem o calor urbano de Agosto nos impede de gozá-la.

 

 

* As escolhas do dia: Almoço no Darwin Café, na Fundação Champalimaud; sobremesa nos Pastéis de Belém; limonada no Café Clara, mesmo por cima do Campo de Santa Clara; imperial (para quem pode) no Miradouro da Graça e caminhada por Alfama.



publicado por A.N às 00:00
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