Quinta-feira, 3 de Janeiro de 2013

 

 

Dizem os peritos que os bebés são muito mais inteligentes do que nós, os adultos, especialmente porque a sua capacidade de aprendizagem e apreensão do meio que os rodeia, nos primeiros meses de vida, se faz a uma velocidade estonteante.

Mas, ao fim de um mês nesta aventura de pais de primeira viagem, algumas coisas já aprendemos, o que é reconfortante, uma vez que os pais mais experientes nos garantem que o pior já passou.

 

Ainda para mais, fomos capazes de manter alguma sanidade mental (o mesmo já não se pode dizer das nossas faculdades mentais que me parecem algo afectadas.

 

Cá em casa o pior- se é que o foi - já passou e não deixou mazelas significativas.

Os ritmos alteraram-se sem grande sacrifício, as noites e principalmente o sono passou a dividir-se em blocos de 3 horas e aprendemos que conseguimos sobreviver com um sorriso a esta privação de descanso, os tempos de relaxe no sofá durante o dia foram substituídos pelo ritmo frenético que imprimimos à execução de tarefas quotidianas, o facebook passou a ser consultado a horas impróprias, o que nos permite estar totalmente actualizados acerca da vida daqueles que generosamente a partilham com o público, os amigos não nos abandonaram nem fogem a sete pés com medo desta nossa realidade, os dias passam rápido e, ainda que nada significativo aconteça, estão cheios de aventuras.

 

Aprendemos que existe vida no nosso prédio e no nosso bairro durante o dia, que o carteiro da zona é um desorganizado que nos traz cartas de manhã e encomendas às três da tarde, que o paredão de Carcavelos tem gente todos os dias, que ir ao supermercado durante o horário laboral "normal" pode ser desgastante, face à falta de eficiência dos demais compradores desocupados e/ou não prisioneiros de um relógio certeiro. 

 

Descobrimos também que as caixas de sushi baratas continuam a saber bem (durante 9 meses, à cautela, mantive-me longe dessa luz), que é espectacularmente fácil adormecer às cinco da manhã depois de uma hora de verdadeira agitação, que os carros estacionados no passeio dão cabo da vida de um pai que ousa sair à rua em Lisboa com um carrinho de bebé, que a quantidade de fumadores em Portugal que insisite me fumar em espaços fechados é escandalosa e que a Zon Iris foi a melhor coisinha que nos aconteceu na vida, uma vez que os horários e a disponibilidade total para o lazer não se coadunam com a chegada e as exigências do M. E a Iris funciona lindamente minha gente, lindamente!

 

Aprendemos, ainda, uma valiosa lição: que os bons pais estão confortavelmente sentados na bancada, a assistir ao jogo dos amadores e, como bons pais que são (ou que julgam ser), partilham, sem pudor e sem que lhes seja pedido, todas as suas dicas, opiniões e palpites, muitas vezes sem maldade, mas sempre com alguma (ainda que secreta) crítica. Nunca revelam o que fizeram com as suas crias e parecem ter esquecido tudo o que aconteceu no seu primeiro mês enquanto pais reais, mas milagrosamente possuem um conhecimento inato das necessidades e carências dos filhos dos outros.

 

Num mês já engolimos muitos sapos, já mastigámos verdades absolutas que proferimos antes do M. nascer e que agora são simplesmente relativas, já nos acalmámos com as exigências auto-impostas, já nos conseguimos rir da falta de experiência.

 

Não sabemos nada, mas aos tropeções vamos caminhando.

 

E, entretanto, o tempo não passa, voa.



publicado por A.N às 09:19
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