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O mundo da Ch@p@

Regresso às aulas

A.N, 19.09.06



No El Corte Inglés de Lisboa ( mais uma vez cenário de crónicas!), encarregados de educação dos futuros cérebros de Portugal enfrentam, diariamente desde o dia 1 de Setembro, a guerra mortal da corrida ao material escolar.

Qual guerra fria, o mundo escolar oscila entre dois pólos: os que compram no Continente (coitadinhos!) e os que adquirem belos espécimens de Carandache e Moleskines no El Corte.

A tabuada do Ratinho deu lugar às calculadoras gráficas; a tinta da china, borrosa e incómoda, foi substituída pelas canetas assépticas e de design elegante; os livros encomendados à D. Jesus da papelaria do bairro passaram a constar de listas de encomendas que, pese embora padronizadas e de preenchimento fácil, não revelam eficácia nas semanas de azáfama de Setembro. Se não é a editora que não envia mais remessas de livros, é um extravio da lista depositada nos primórdios de Junho ou um ligeiro atraso no fornecimento.

Procura-se o mais caro e não necessariamente o melhor.

As carteiras dos pais tornam-se fundas para prover a educação do menino que não soma 3 mais 3 e julga que os “Maias” são um jogo de computador.

Por detrás das mamãs ocupadas na escolha dos melhores guaches, esconde-se a menina que diz palavrões à empregada que procura aconselhá-las devidamente.

As professoras vingam-se com caprichos consumistas, as contas do El Corte engrossam e, na televisão, por vezes encontramos a Ministra da Educação a tentar minorar as falhas na colocação dos professores neste ano lectivo (diga-se, com um esforço épico, mas fracassado) e Marques Mendes a sugerir um plano individual de estratégia e gestão para cada escola, como forma de premiar o mérito próprio.

Os meninos não se importam, nem têm que fazê-lo.

Querem o ipod, as calças da Miss Sixty e o telemóvel com 2.5 megapixels e bluetooth .

E ao fim de uma semana de aulas, nas costas da mamã e com a conivência das professoras, deixam esquecidos os guaches e a calculadoras gráficas nos soalhos da escola, enquanto enviam mais um sms à amiga “mais kida k existe”.

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