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O mundo da Ch@p@

Questo è illegale

A.N, 27.06.05
Sei que ameaço tornar-me repetitiva e cansativa.
Isto, claro, partindo do pressuposto que ainda não me tomam como tal!
Mas a verdade é que mais uma vez o Metropolitano de Lisboa serviu de cenário para uma situação insólita.

No entanto, com algum embaraço da minha parte, desta vez eu fui uma das protagonistas.
Talvez devido ao cansaço ou a enormes ânsias de chegar a casa, distraí-me ao trocar de linhas no Marquês e quando dei por mim, ao invés de ir parar directamente à linha azul, acabei por dar saída ao meu bilhete e passar aquelas simpáticas portas de vidro automáticas que, conforme pude mais tarde constatar, além de feias são pesadas.
Ainda perplexa com esta minha atitude idiota e irreflectida, hesitei em comprar um novo bilhete.
No entanto, antes mesmo de chegar às máquinas automáticas, reparei que as simpáticas portas que davam acesso à linha azul se encontravam amplamente abertas.
Entrei descansada no metro, esquecendo-me de um pequeno detalhe: o cartão que não validei na entrada, teria que inevitavelmente ser utilizado nas portas de saída.
Ao chegar a S. Sebastião, como já seria de esperar, o meu bilhete foi recusado pelas ameaçadoras e teimosas portas que não cederam às minhas tentativas.
Optei então por pedir a uma rapariga que passava, o favor de me deixar transpor com ela aquelas barreiras impossíveis.
Passei, mas guardo até hoje as marcas do raio das portas.
E, como se a dor por si só não fosse suficiente, eis que ouço uma voz estridente de um italiano pouco mais novo do que eu, com aquele look erasmus inconfundível, que alarmava todos os transeuntes da estação: “ ILLEGALE! ILLEGALE!QUESTO È ILLEGALE!”.
Acusador, o desgraçado vociferava apontando-me um dedo incriminador, que por pouco não chamou a atenção do segurança que se encontrava a alguns escassos metros.
Até hoje, não consigo parar de pensar na ironia da situação:

1) Eu que compro sempre bilhete de metro e frequento aquelas linhas há anos, como pude cometer tamanha estupidez?
2) Quem criou aquele sistema de portas foi, sem dúvida alguma, um génio. Não só permite encarcerar-nos horas a fios nos subterrâneos de Lisboa, como na eventualidade de conseguirmos evadir-nos, nunca o faremos de forma indolor. Além de que ficam sempre hematomas para confirmá-lo.

3)O que leva um erasmus a proceder daquela forma? Não deveria ser eu a proclamar a ilegalidade do acto, enquanto portuguesa e advogada estagiária? E não deveria ser erasmus italiano a cometê-lo?

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