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O mundo da Ch@p@

Audiências

A.N, 28.09.07



Não é segredo que gosto de futebol. Que sofro e partilho a paixão pelo desporto rei.

É, porém, uma relação amadurecida a que tenho com o meu clube.

Não prescindo de viagens ou de um bom jantar por causa de um desafio, não parto porcelana em casa nem respondo mal aos adversários na segunda-feira de manhã após uma derrota.

Esta, porém, não é a tendência dos portugueses. Obviamente que a minha falta de propensão para a histeria futebolística terá uma forte componente genética: afinal, isto de mulheres no futebol não é coisa digna.

Contudo, agrada-me a ideia de não ser mais uma dessa massa de milhões de portugueses para quem a semana de trabalho é apenas um compasso de espera até aos jogos do fim-de-semana.

Parece-me incompreensível alguém nunca ter lido um livro na vida e devorar, copiosa e diariamente o Record ou a Bola.

Que dizer então do anúncio da subida do IVA imediatamente após o Benfica se ter sagrado campeão? Questionadas as pessoas encolhiam os ombros com descontração e indiferença: o Benfica era campeão e essa notícia, além de não alarmar, vinha interromper a projecção de imagens da celebração da vitória.

Atendendo ao atrás exposto, entendo o raciocínio do produtor do jornal da noite da Sic de Notícias, ao interromper mais uma bela verborreia de Pedro Santana Lopes e transferir a emissão para o Aeroporto da Portela onde José Mourinho acabava de chegar com a família (filhos e esposa).

Estranhamente e com alguma desconfiança, porém, a presença de espírito de Pedro S. Lopes parece-me louvável.

A hipotética passividade de um qualquer outro candidato perante a o facto de ver o seu discurso acerca da actualidade política ser interrompido pela notícia das férias piscatórias de um treinador de futebol, parece-me, ao invés, censurável.

Mais louvável seria, todavia, se esta atitude tivesse sido assumida por outro personagem político, por alguém com um percurso limpo e provas dadas de competência e seriedade.

Assim, não obstante concordar com o comportamento, é inevitável deixar de sentir que deixaram de emitir a flash interview do treinador do Leiria para emitir a conferência do ex-treinador do Chelsea: não se perdeu, nem se ganhou, nada importante.

Calar Santana Lopes, mais do que falta de educação e noutras circunstâncias, certamente, parece-me uma atitude de bom senso.

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