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O mundo da Ch@p@

Vinte e tal

A.N, 18.01.06
Ainda ontem recebi um mail duma dessas amigas tão próximas e cuja amizade data de primórdios tais que ,por vezes, confundo a história dela com a minha.
Actualmente a viver fora de Portugal, actualizou-nos em curtas linhas do seu dia a dia enquanto emigrante, dos seus planos de viagens e, obviamente, relembrou-nos das saudades que sente nossas.
Mal sabe ela a falta que nos faz e a escuridão em que Lisboa mergulhou quando ela partiu...
No entanto, saudosismos à parte, a parte mais curiosa do email, é a parte final, onde em jeito de advertência/benção escreveu:

“...Para aqueles que se vão casar e estão no meio dos preparativos e para aqueles
que têm filhos acabadinhos de vir ao mundo... coragem e força nisso!”

E então bateu-me.
Já começou... A idade adulta em todo o seu esplendor.
O cair da folha, a mudança de pele, o derradeiro golpe do cordão umbilical.
Será que enquanto o mundo gira, posso ficar escondida debaixo da cama, com o Sr. Peluche nos braços, muito quietinha e a esperar que tudo passe rápido?
Ou deixo-me de cinismos e desejo a melhor sorte do mundo a todos, recebendo-os com entradas de tâmaras e sobremesas de merengue que eu, como boa dona de casa e verdadeira senhora, serei certamente capaz de fazer?
Esta fase do quarto de século só é equiparável aos 17 anos , em que não somos nem carne nem peixe.
Não se pertence à faixa dos 18/19 porque esses já estudam na universidade e são donos e senhores de uma invejável maturidade e sabedoria a que não temos acesso.
Simultaneamente já não queremos estar com os mais novos, a fumar às escondidas na parte traseira da escola, porque começamos a ganhar noção dos infindáveis universos que nos esperam.
Aos 24/25 a visão tende a ser mais redutora e as crises de identidade mais profundas.
De uma forma geral, temos que optar por nos integrar num grupo que nos define a personalidade e o futuro, ainda que o façamos sem grande convicção e com esperança de que o tempo traga as certezas que os medos nos impedem de ver.
Eles há os que trabalham; os que se dedicam ao aprofundamento dos estudos; os que casam e têm filhos; os que não se casam mas têm filhos, os que continuam a sair à noite; os que viajam; os que não fazem nada da vida e os que gostavam de fazer mais.

Será demais querer pertencer a todos estes grupos? Ou é uma ilusão que se desfaz a partir dos 35?

Que fazer? Como diz a música " com que roupa me quero vestir?"

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