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O mundo da Ch@p@

Sobre que tema escreverei hoje?

A.N, 14.12.04
Longe vão os dias em que escrevia três posts por dia.

Estarei a tornar-me desinteressante? Desinteressada? Menos comunicativa? Menos paciente e dedicada?

Acho que se me pagassem para manter este blog vivo talvez a motivação fosse outra. Talvez o esforço e a dedicação fossem maiores.

Quanto à glória...creio que o melhor é aguardar pacientemente o dia em que alguém decida publicar estes fragmentos de vida. ( hahaha!)

Ou se calhar esta amálgama de divagações converter-se-ia numa profissão e lá se ia o encanto.

Deixem-me pensar...sobre que tema escreverei hoje?

O apito dourado é um tema batido, a aceitação da demissão do governo já não aquece nem arrefece ( desde que o Durão deu de frosques para Bruxelas que nos sentimos todos orgulhosamente sós), não senti o sismo, é facto público e notório o Sporting ter sido escandalosamente roubado no jogo contra o Braga...

Pois é...assim de repente não me lembro de nada minimamente interessante ou original sobre o qual escrever.


Já vos falei dos pastéis de Belém? Não???

Só mesmo uma pequena menção: 4 pastelinhos nunca são demais.

Se não acreditam, perguntem ao Trapattoni! ;)[1]







[1] Não resisti à piadinha !







Faça de Óbidos a sua prenda de Natal!

A.N, 13.12.04

Quando se começa a trabalhar, o fim-de-semana ganha uma cor diferente. Quando ainda estava a estudar os fins-de-semana não eram momentos pelos quais ansiasse.

Especialmente durante os tempos de faculdade , em que muitas vezes eu fazia descansos semanais quando me dava na real gana.

Esses dois dias ao final da semana pareciam-me sempre longos, desassossegados e ruidosos, com toda a família em casa (somos 6 e um cão) e almoços demorados.

Para quem gosta de silêncio e alguma tranquilidade em casa, bons mesmo eram os dias da semana.

E eis que o meu mundo fica do avesso...

Agora que trabalho, os fins-de-semana são quimeras da minha semana. Mas ,infelizmente, para poder aproveitá-los convenientemente , é inevitável fazer escolhas: ou saio à noite e durmo até ás tantas, ou não saio mas de qualquer maneira durmo a manhã toda, ou ponho o despertador e passo terríveis sábados ou domingos sonolentos, sem ânimo ou iniciativa para fazer o que quer que seja.

Como é aborrecido chegar a uma etapa da vida em que não podemos ter tudo...em que inevitavelmente temos que optar ...

Mais aborrecido ainda é não ter ninguém que opte por nós!

Este fim-de-semana optei por não viver a noite.

A preguiça, o comodismo, o cansaço e o frio contribuíram para esta minha decisão e não me arrependo minimamente, porque graças a ela aproveitei o meu dia de sábado.

Sem correrias ou compromissos, dirigi-me a Óbidos, um lugar que só agora, depois de uns bons anos, redescobri.

Recomendo vivamente que aceitem esta minha sugestão, de preferência fora da época da célebre feira do chocolate, porque a afluência de pessoas é tão excessiva que mal se pode caminhar.

Não só redescobri um lugar simpático, ordenado e encantador, como também um espírito muito especial: o espírito do Natal.

Este ano, a Câmara Municipal de Óbidos propõe que venhamos divertir-nos em torno do lenho e fazer de Óbidos a nossa prenda de Natal.

Mais do que divertir-me a percorrer as muralhas, a espreitar as lojinhas e o mercado de Natal da Praça de Santa Maria ou a provar a tradicional ginjinha, diverti-me ao sentir-

-me a viajar no tempo, a recuar séculos e séculos atrás e fazer parte de todo aquele cenário mágico.

O cheirinho a lareira, as iluminações simples, mas encantadoras, a música de Natal em cada esquina, a convivência entre conhecidos e amigos entre waffelns e licores de Natal.

E pensar que para viver tudo isto afastei-me a apenas 80 km de Lisboa!

A grande capital , o local onde supostamente se encontra de tudo, onde se gasta rios de dinheiro em iluminações e decorações de Natal, é também o local onde infelizmente o Natal mal se sente...

Olhem, em caso de desânimo façam como eu...Vão para fora, Cá dentro!



...

A.N, 09.12.04

A época natalícia , de um modo geral, põe-nos nostálgicos.
Peço desculpa por voltar a este tema, mas é um bocado impossível não me deixar contagiar por esta febre.
Ainda por cima com esta propagação frenética de luzes e melodias natalícias pela cidade!
Relembro inevitavelmente a minha infância , que em comum com a infância dos outros, guarda dias de Dezembro com cheirinho a castanhas assadas , compras de Natal no Chiado , concertos de Natal em Igrejas e uma ida ao circo.
Como diz uma amiga, já chegámos aquela fase que em vez de fazermos as coisas, contentamo-nos em falar do tempo em que as fazíamos!
Numa altura em que custa ao mundo sorrir e tenho uma família pequena e sem crianças, devo dizer que já foram melhores estas temporadas.
Numa tentativa de recuperar ( ou reviver) a mística de outrora, segui a programação cultural da Câmara Municipal de Lisboa e fui a uma missa cantada na Igreja de S.Nicolau ( que agora recuperada ganhou uma luminosidade que deve mesmo ser visitada).
Aproveito para louvar a CML por estes concertos de Natal.
Sabe bem viver o Natal fora dos centros comerciais e mais perto das igrejas.
Afinal, supostamente celebramos o nascimento de Jesus... ou estarei enganada?
Catolicismos à parte, não há Natal sem circo, nem circo se não fosse a época natalícia. Sempre encarei os circenses como formigas, desta feita trabalhadores no inverno para maiores descansos no verão.
A muito custo lá me convenceram a ir ao circo.
Confesso que a ideia não me agrada especialmente e que o circo desperta em mim pouca curiosidade.
Mas, determinada a reviver os natais da infância, acedi e no final de contas não me arrependi minimamente.
Aliás, atrevo-me mesmo a dizer que gostei!
Surpreendentemente os palhaços tiveram realmente graça, não havia leões, mas break dancers russos e acrobatas quenianos, araras amestradas capazes de cálculos matemáticos e um malabarista cubano, recordando Jim Carrey nos tempos da Máscara.
O cheiro a pipocas não me enjoou, a felicidade e deslumbramento das crianças presentes contagiaram-me, o cheiro característico dos animais não me repugnou e por instantes voltei a ser pequenina e esquecer que já pesam 23 anos.
Isto de crescer até parece ser engraçado...mas espero sinceramente que isso nunca aconteça comigo! ;)

"Quotes" do Woody Allen

A.N, 06.12.04
My love life is terrible. The last time I was inside a woman was when I visited the Statue of Liberty.
It's not that I'm afraid to die. I just don't want to be there when it happens.(Death)




A fast word about oral contraception. I asked a girl to sleep with me and she said 'no'.(Woody Allen Volume Two)



I took a speed reading course and read War and Peace in twenty minutes. It's about Russia.(Quote and Unquote)



On bisexuality: It immediately doubles your chances for a date on Saturday night.(New York Times)



I had a terrible education. I attended a school for emotionally disturbed teachers.

Jingle Bells

A.N, 06.12.04
Se há coisa que me irrita no Natal é facilidade com que as carteiras emagrecem e os quilos aumentam.

Sinceramente, com este frio e tantos doces, a tendência é para comer sem parar, de preferência na horizontal ou bem sentada numa poltrona, junto á lareira, com um bom filme na televisão, acompanhado de algumas preces sussurradas, que apelam ao menino Jesus para que não deixe que nada nem ninguém interrompa tão reconfortante inércia.

E os presentes, digam lá o que disserem os menos materialistas, contam sempre.

Qual de nós não lançou já um esgar de ódio ou um belo dum sorriso amarelo ao receber presentes classificáveis como ridículos. (Até hoje não percebo como é que há pessoas capazes de oferecer meias brancas de presente de Natal!)

Mas este ano parece que a coisa vai ser diferente...

Pelos vistos, este ano o Pai Natal chegou mais cedo.

Pelo menos já recebi dois presentes que julguei nunca vir a receber:

1) O Santana vai-se embora. ( Ainda que hoje à tarde se tenha apresentado com a pompa e a descontracção do costume na Igreja de S.Nicolau, distribuindo charme pelas velhotas que o aclamavam e lhe davam palavras de conforto)

2) Após anos de boatos mal dissimulados, o Pinto da Costa lá está finalmente indiciado em crimes de corrupção. Não há fumo sem fogo e talvez agora se entenda melhor os longos jejuns quer do Sporting quer do Benfica.

Depois disto, o país continua sem razões para sorrir e não creio que possamos falar de grandes alternativas governativas, mas enfim...eu já ando mais contente.

Sem um tostão no bolso, mas com um início de época natalícia como este, até as meias brancas me bastariam na noite de consoada!







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Confissões das Mulheres de 30

A.N, 04.12.04


Qualquer mulher que seja verdadeiramente feminina tem um lado fútil.

Não se exaltem as meninas, porque esta minha afirmação nada tem de prejurativo.

Quando digo que todas temos um lado fútil, refiro-me ás nossas preocupações em estarmos bonitas, com um cabelo cuidado, com roupa nova, em nos apresentarmos bem, em usar perfume.

Gaja que é gaja gosta de se sentir bem e ter o ego lá em cima.

Hmmmm...mas...espera lá, não serão muitos homens também assim? Não será a futilidade/vaidade mais uma questão de personalidade do que de sexo?

Ontem à noite fui ao teatro com duas amigas ver três divertidas mulheres de 30 anos confessarem-se.

Algumas pessoas consideraram esse meu plano fútil. Mas porquê fútil? E porquê associarem sempre esta palavra a programas de mulheres???

Teve até bastante conteúdo e o efeito em mim foi saudável: saí bem disposta!

Admito que o tema da peça não seja o mais profundo do mundo, nem as ideias que comporta sejam as mais inovadoras, mas sabe bem esquecer por uns tempos o lado sério e negro da vida e interromper a cansativa actividade intelectual que a profissão exige.

Foram duas horas de gargalhadas genuínas, actrizes descontraídas e bem humoradas que criaram um ambiente familiar e íntimo com um público que , aos poucos e poucos, se ia identificando com uma ou outra situação que as mesmas relatavam.

Para mim, que ainda ando na casa dos 20 ,foi tranquilizante saber que os meus problemas não são exclusivos e que continuam aos 30.No entanto, há uma pequena nuance: aos 30 eles acentuam-se!

A tats fez anos!

A.N, 03.12.04
Hoje a minha amiga Tats está de parabéns.

Ou melhor, ontem esteve de parabéns.

Afinal já é uma da manhã e o seu dia já terminou... pelo menos oficialmente.

Mas para mim ainda é tempo de celebração.

Acabo de chegar a casa e ainda sinto que há muito a ser dito.

Se calhar deveria dizê-lo todos os dias, se calhar não devia esperar por momentos específicos em que é suposto dizermos qualquer coisa simpática...se calhar devia aprender a lidar melhor com os afectos e aprender de uma vez por todas a expressá-los.

Sou daquelas pessoas com um coração gigante, onde há espaço para luz e sombras.

São nestas últimas que me sinto mais confortável, quando tenho algo a criticar ou um dedo a apontar.

É-me muito mais fácil coleccionar e divulgar pequenas mágoas, do que assumir paixões, amizades e admirações.

Estas últimas são muitas vezes transformadas por mim em renhidas disputas e ciúmes mal dissimulados.

A minha amiga Tats pertence a este grupo, ao grupo da luz.

E como eu gostava de saber dizer-lhe mais vezes o quão especial ela é e quanto a admiro.

Mas não sei dizê-lo. Não o faço...

Porque me custa trabalho, porque me causa embaraço, porque nunca cresci e esse lado soalheiro do coração, onde colecciono as amizades, tão pouco o fez.

Por isso limito-me a desejar-lhe os parabéns, dar-lhe um abraço apertado e sentir um enorme orgulho em ser sua amiga!


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“Sobre a nudez forte da verdade-o manto diáfano da fantasia”

A.N, 01.12.04


E passando agora a temas mais importantes...


Após um par de anos de algum comodismo mental e de falta de iniciativa, ambos unidos numa culpabilização da televisão e internet, como principais ocupações dos meus tempos livres, eis que me assumo novamente como devoradora de livros.

Grandes, pequenos, divertidos, dramáticos, de autores clássicos ou de contemporâneos, marcantes ou facilmente esquecidos...tanto faz.

Transporto sempre um livro comigo, mesmo à mão de semear para devaneios fantásticos e fugas imprevistas para universos que não são o meu.

Esta semana dediquei-me a um clássico da literatura portuguesa: a “Relíquia” do Eça de Queiroz.

Pensar que neste espaço de tempo, algures entre a estação de S. Sebastião e os Anjos, viajei de Évora para Lisboa, do Campo Santana para Alexandria e desta para Jerusalém, folheando páginas amarelecidas pelo passar dos anos na biblioteca dos meus pais.

Pleno de humor, o enredo desenrola-se em descrições infindáveis, ao jeito tão característico do Eça. (jamais esquecerei a descrição da chegada a Sintra do Sr. Carlos da Maia ao longo de 25 páginas! Ou seriam mais???)

Mas contrariamente ao que sucede nos Maias, a saga de Teodorico é-nos oferecida pelo Autor num constante tom apimentado, onde através de episódios hilariantes , o mesmo elabora uma critica mordaz e astuta à sociedade da época, conservadorismos e classes dominantes.

Não obstante a data da publicação, a actualidade do enredo permitir-lhe-ia que o mesmo fosse escrito hoje, tomando por exemplo a nossa actual sociedade , que em tanto tempo, tão pouco ou nada mudou.

A D.Patrocínio, personificando o devotismo fanático e inquestionável, os amigos de conveniência disfarçados sob a máscara da religião, o interesseiro e hipócrita Teodorico, a sociedade portuguesa facilmente manipulável através de recordações beatas falsificadas, são ingredientes que tornam este romance numa verdadeira preciosidade.

Deixando á vossa consideração determinar se o mesmo é ou não uma relíquia, digo-vos que pelo menos aos meus olhos, considero ter mais uma preciosidade neste meu pequeno património literário.

E tal como qualquer relíquia que se preze, acabei por descobri-la tarde...mas não demais!


“Porque houve um momento em que faltou esse “descarado heroísmo de afirmar”, que, batendo na Terra com pé forte, ou palidamente elevando os olhos ao Céu- cria , através da univeral ilusão, ciências e religiões.”

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