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O mundo da Ch@p@

Para os meus emigrantes...

A.N, 14.01.05
Venho por este meio manifestar a minha discordância face à corriqueira afirmação de que Portugal é , hoje em dia, um país de Imigrantes.

Como poderá isto corresponder à verdade, se um grande número de conhecidos e alguns importantes amigos estão progressiva e sistematicamente a abandonar a Tugalândia?

É certo que muitas das ausências serão temporárias, mas o que me garante que retornarão?

Um inofensivo Erasmus poderá ser o principio do fim, na medida em que na maioria dos casos desperta uma vontade desenfreada de conhecimento e descoberta da vida noutros lugares.

Questiono-me ainda se a pátria não ficará a perder, com tanta gente brilhante e tanta massa cinzenta valiosa que ficará espalhada pelo mundo ao invés de permanecer por cá e contribuir para o nosso bem comum?

Por este motivo, não deveríamos nós, que ficamos, receber algum tipo de subsídio, capaz de prevenir futuras tentações de “dar o baza”?

Verdade seja, não falo do alto dos meus sentimentos patrióticos.

É verdade que gosto muito de Portugal, mas não se pode afirmar que sou uma patriota. Ás vezes gostava de o ser, admito...

Falo antes do alto da minha inveja...

Considerem este post como uma manifestação inequívoca de um misto de inveja e medo de ficar abandonada e , simultaneamente, como uma menção de saudades precoces relativamente àqueles que partirão em breve.

Rita la outra, Saritz, Froes, Clarita ( que já partiste , mas deixas saudades), Michi, Peter, Tats ( quando iniciares os teus seis meses quase sabáticos)... aproveitem, mas regressem.

A vida aqui já é monótona, mas sem vocês a coisa torna-se ainda pior.

Na eventualidade de descobrirem que a vida não é aqui, vejam lá se encontram alguma ocupação a que me possa dedicar nos sítios por onde vocês andarão.

Hasta siempre!





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Mais uma...

A.N, 13.01.05

É bem sabido que nem tudo funciona neste nosso país à beira mar plantado, mas de uma coisa não nos podem acusar: não somos de todo um país monótono.

De facto, desde que o Santana assumiu o cargo de primeiro-ministro, as surpresas e os escândalos sucedem-se a um ritmo alucinante.

Ainda o Zé Tuga não recuperou de uma manobra manhosa deste nosso pseudo-executivo, que subitamente é abalroado por outra nova, mil vezes pior do que anterior.

Parada no trânsito matinal de Lisboa, estava a ouvir o noticiário da TSF quando de repente as ideias para este post começaram a ganhar forma e sorrisos de perplexidade se começaram a esboçar.

O tema da peça , como não poderia deixar de ser, era a malfadada viagem de Morais Sarmento a S. Tomé.

Como se não bastassem as primeiras declarações de Santana, aquando da primeira entrevista acerca deste tema - "Ê cá na sê se verdade, mas se foriii ê acho que tá mali"- desta feita foi o Ministro Álvaro Barreto que, com a sua sinceridade, protagonizou mais um momento de paródia.

Ao que parece e de acordo com a justificação apresentada por Morais Sarmento, um dos propósitos da viagem ( que custou cerca de 63 mil Euros ao Estado) era promover um acordo entre a GALP e S. Tomé no que concerne o petróleo que nessas terras foi encontrado.

Ora, quando questionado acerca da veracidade desta afirmação, o Min. Álvaro Barreto afirmou desconhecer tal situação.

Conforme disse ao jornal Público " Desconheço. Isso é completamente novo para mim".

Fora esta uma situação anómala (ou a primeira de todas as que já passaram) do governo santanista, o Zé Tuga estaria irritado, sentir-se-ia ultrajado, enganado.

A esta altura do campeonato, só nos resta realmente rir, meio aliviados, meio tresloucados, enquanto aguardamos com olhos gazeados a tão proclamada retoma, que insiste em não chegar.

Cá para mim que não sou analista política nem muito interessada nestes temas, ao olhar para todos estes"diz que disse", desmentidos, contradições e gaffes, só consigo pensar que tudo isto encontra um triste paralelismo nas famílias desavindas.

Não há diálogo, não há união, não há uma estratégia ou planos comuns... apenas um grupo de seres que por obra da Divina Providência ( ou neste caso do nosso grande Santana Man) se encontram momentaneamente unidos por um laço "familiar" que não entendem ou desejam , mas que ainda assim insistem em não quebrar.

Meu senhores, como qualquer boa família que se preze: Cuidado com o que dizem...já dizia a minha avó que as desgraças guardam-se em casa, não se espalham pela rua.

E da próxima vez, ensaiem antes. E quando mentirem, ao menos contem todos a mesma mentira.

O Zé Tuga pode se distraído, mas não é parvo de todo!


P.s Já agora, porque é que Morais Sarmento pôs o lugar à disposição? Afinal não se tinha demitido todo o governo?

R.E.M live @ Lisbon

A.N, 09.01.05

Uma vez que este fim-de-semana optei pela economia das palavras, que já alguma tinta correu sobre este assunto e nenhuma falha há a apontar, resta-me dizer que ontem os R.E.M mostraram no Pavilhão Atlântico o porquê de serem uma banda que marcou gerações e se continua a impor pela sua inquestionável qualidade e profissionalismo.

Para aqueles que, tal como eu permaneceram de certa maneira estagnados no tempo ( anos 90 !) a nível musical, este foi um concerto à moda antiga e digno do nome.

Um cenário simples e despretensioso, mas com recordações luxuosas que não me permitiram passar muito tempo quieta no mesmo sitio.

Que saudades já sentia de saltar e aplaudir canções que marcaram tantas e diferentes etapas da minha vida e ainda assim continuam e continuarão a ser a banda sonora da vida de muitos outros.


P.s Para momentos mais tranquilos, recomendo vivamente o último cd "Around the sun".

Parte 2

A.N, 07.01.05
Não levei o computador comigo durante a viagem. Limitei-me a levar um pequeno caderno de memórias e afins, onde costumo relatar muito sumariamente episódios ou rasgos de inspiração inesperados.

Ainda que já tivesse pensado em escrever sobre a viagem, decidi que o melhor seria tomar o mínimo de notas possível e passo a explicar porquê.

Se me concentrasse em tirar apontamentos ou em fazer análises profundas acerca do que estava a viver, provavelmente acabaria por não ver absolutamente nada.

Costumo sentir o mesmo em relação às máquinas fotográficas digitais: passamos uma grande parte do tempo a fotografar tudo o que se mexe e o restante a ver, apagar e aumentar as fotografias que tirámos.

O menos importante passa a ser a verdadeira viagem…

Além disso, é sempre melhor ganhar algum distanciamento das coisas para podermos falar sobre elas.

Convenhamos que a julgar pelo ritmo com que estou a escrever, a minha objectividade será imensa. hehe

Enfim… sobre os primeiros dois dias de viagem não há muito que contar.

Basicamente gozámos dos privilégios do hotel e da praia.

O meu conselho para menores de 55 anos que estejam a pensar viajar para um resort all included: a menos que planeiem entregar-se ao álcool e à comida, aluguem um carro e saiam à aventura.

Se o intuito da viagem for o mencionado em primeiro lugar… escolham um que fique mais perto do vosso país e que saia barato. Afinal, se a ideia é ficar circunscrito aos muros do hotel, é igual que o façam em Marrocos, Cuba, Brasil ou Costa da Caparica.

Nós optámos por alugar um carro e rumar às pirâmides maias de Chichen Itzá e a Valladolid, no Estado de Yucatán.

Não me vou alongar a descrever-vos a história ancestral de Chichen Itzá. Isso encontrarão muito facilmente em qualquer guia turístico.

Mas de uma coisa aviso: atenção aos preços das peças de artesanato.

Toda a Riviera Maia e a zona circundante de Chichen Itzá não é propriamente barata e muitos dos preços iniciais que oferecem, estão ao nível dos preços europeus.

Recomendo vivamente uma passagem por Valladolid, porque lá encontrámos o México real: uma aldeia pequena, com a típica praça central adornada com um jardim colorido pelas pessoas e pelo artesanato que aí é vendido.

Em Valladolid visitámos “cenotes”, pequenas piscinas naturais que crescem em grutas e provámos a comida yucateca.

No que concerne o regresso a Puerto Morelos, devo dizer que não foi nada fácil. Assegurem-se que tomam a auto-estrada e não a estrada nacional. O mesmo percurso demora 2 horas na primeira e quase 4 na segunda.

O motivo são os “topes”, ou bandas sonoras aqui para os tugas, altíssimos e mal assinalados, com que somos presenteados todo o caminho até Cancun.

Moídos, com dores na coluna e um apetite chegámos ao hotel e finalmente começámos a apreciá-lo mais e a vê-lo como ele é: não o meu local de férias, mas um simples local para pernoitar, tomar o pequeno-almoço e jantar.




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De regresso - O relato, parte I

A.N, 06.01.05

Qual Fénix renascida das cinzas, eis-me de volta a Lisboa e à blogosfera.

Admito que não senti muitas saudades...aliás, para ser totalmente franca, não senti quaisquer saudades.

Sei que a ausência foi muito breve, mas a cada viagem que faço, surpreendo-me com esta minha capacidade intrínseca de não sentir saudades de Lisboa, das minhas pequenas coisas ou hábitos rotineiros.

Já no que concerne as pessoas, a situação é outra... Mas confesso que os 6 meses de Barcelona foram um bom treino.

Retomando o fio à meada...

Pela primeira vez, a minha família resolveu terminar o ano em território com temperaturas médias superiores a 25 graus nesta altura do ano.

Rumámos ao México, onde durante uma semana fui seduzida progressiva e infalivelmente pela afamada Riviera Maia.

Presunção ou mero ímpeto juvenil (chamado sangue na guelra!), gosto de pensar que com o passar dos anos e viagens, tenho vindo a refinar os meus gostos e exigências, procurando cada vez mais abandonar o estatuto de turista e assumir o de viajante.

Já que a minha actual ocupação profissional não me permite ser apelidada de “cidadã do mundo”, gosto de imaginar que na realidade o sou, que não pertenço a qualquer estereotipo português ou que me insiro numa determinada e estanque classe social portuguesa.

Tento imaginar que tenho uma personalidade moldável, capaz de me adaptar a qualquer estilo de vida, a qualquer lugar do mundo, a qualquer cidade e respectivo ritmo.

Claro que acordo após dois minutos e me apercebo que sou portuguesíssima, que não posso viver sem o sol de Lisboa ou um bom cozido à portuguesa.

Mas de que falava? Ah sim, o México.

Esta foi a segunda vez que visitei este pais, com o qual tenho uma ligação muito especial.

Da primeira vez conheci o México real, aquele que dificilmente é vendável nas agências de viagens, que quase sempre é conotado de uma forma negativa.

Estive na Cidade do México a maior parte do tempo, com direito a curtas estadas em cidades coloniais como San Miguel de Allende e Guanajuato( este última que foi considerada pela Unesco como património da Humanidade) e Isla de Pajaros (Guerrero), onde acampei pela primeira vez em solo praticamente virgem.

Um mês foi mais do que suficiente para conhecer a realidade mexicana, ainda que na altura me tenha sabido a pouco e só tenha atingido a consciência desse privilégio muito recentemente.

Um amigo mexicano comentou um dia , que uma pessoa que visite o México sem ir à Cidade (Distrito Federal), nunca chega a conhecer realmente a realidade mexicana.

Na altura aquilo não fez tanto sentido como agora.

Ao chegar ao resort de Puerto Morelos (Riviera Maya), a desilusão foi instantânea.

Aquilo não era o México com certeza...e se era, então fui levada a concluir que nunca o havia visitado.

Avassalada por um misto de perplexidade e saudades , não me permiti valorizar os meus primeiros dois dias de estada em território mexicano.

Rodeada por luxuosos muros, uma fantasia plástica e subordinada ao despotismo norte-americano apresenta-se como “o México”, mas verdadeiros sinais dele são praticamente inexistentes.

Chego mesmo à conclusão que o conceito de resorts não se aplica a viajantes, mas sim a turistas, que não buscam uma essência, mas apenas facilidades, calor, organização artificial que não corresponde ao país onde os mesmos estão inseridos, realidades camufladas em serviços de “in included” e música com ritmos de salsa.

O México que conheci e por quem fiquei apaixonada é um país com um passado glorioso relativamente ao qual todos os mexicanos se sentem orgulhosos, o país das cores vivas, das colinas saturadas com construções rudimentares que não deixam à vista qualquer espaço verde, é o país com a cidade mais povoada do mundo (25 milhões!), onde convivem em harmonia tecnologias e cosmopolitanismo do sec.XXI e tradições indígenas e pirâmides de sociedades há muito desaparecidas.

Mais do que isso, é o país onde a pobreza é proporcional ao calor humano que as pessoas emanam ao trocar as primeiras palavras...

Admito que no turismo massificado da Riviera Maia , o carácter afável dos mexicanos não sobressaia. Afinal, toda a zona está planificada em função dos norte-americanos e eles não estão ali para reclamar atenções, mimos ou especial cordialidade.

Afinal estão ali por direito, porque aquele “meio-irmão” esfarrapado tem que se submeter aos seus caprichos e não questionar o que quer que seja.

Estas foram as minhas primeiras impressões ao chegar a Puerto Morelos...mal sabia eu os dias fantásticos que se seguiriam...

Mas a noite já vai longa e o post também.

Não vos canso mais a vista em frente ao écran. Amanhã prometo prosseguir com o relato desta viagem e tentarei ser breve.

Basicamente, a ideia é despertar em vocês curiosidade em relação a um país incrível, que venho a conhecer cada vez melhor e a admirar cada vez mais.

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