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O mundo da Ch@p@

O amor em tempos de mitigada cólera

A.N, 17.02.05


Moments take so very long: who has time to fear?
Trust to set no precedent; why should it be accompli?
Giving you a little less is taking what I need.
Everything is never quite enough.

Let machinery fake my face: who has time to chase?
Digital is where it is; love can always be replaced.
Welcome to my consciousness - welcome to our race.
Everything is never quite enough.

Can't see my face: what are you thinking?
Fill in the space, please - oh let me hear you¡­

Sterilize behind these gates, locked behind the green.
Even if I had you here - what we had was never clear
No more words to say to you; no more thoughts appear

Love was taking way too long: who had breath to waste?
Tired of disappointing you; bored with everything I do.
Every day there's less of you. Me, I've been erased.


Posted by HelloWasis Doop "Everything is never quite enough", banda sonora do mui sexy Thomas Crown Affair, visto e revisto milhentas vezes.

Um feitio especial?Quem? Eu?

A.N, 17.02.05
Tenho amigas que adoram dizer que tenho mau feitio. Admito que não tenho um feitio fácil nem pertenço a esse grupo restrito de essas almas dóceis que caem nas graças de todos e são descritas como “paz d´almas”.
Apesar de o negar veemente, sinto realmente a presença deste meu “mau feitio” quando mo apontam.
Então, ele incha e potencia-se de forma incontrolável, a cada vez que alguma dessas caridosas e atentas pessoas me recorda o quão peculiar (no mau sentido leia-se) é a minha forma de ser.
Além disso, mau feito não é necessariamente sinónimo de mimo excessivo. Numa grande generalidade dos casos , pode dever-se simplesmente a um carácter vincado, a uma personalidade forte.
Ou serão estas duas últimas expressões , eufemismo do vulgo MAU FEITIO?
De qualquer maneira, tudo isto vem a propósito do maravilhoso momento televisivo da RTP, protagonizado na noite de ontem pelos candidatos dos 4 partidos com assento parlamentar.
Eis senão quando jazia eu no sofá, cansada de mais uma aula de body combat ( isto da mente sã em corpo sã dá cabo de mim!) e vejo o Dr. Santana apontar energicamente o dedo a Sócrates, proferindo o seguinte comentário:
“Lá vem o Senhor com o seu mau feitio. Toda a gente aliás, já comenta esse seu mau feitio.”
Sócrates fingiu indiferença, mas o esgar não enganou. Estava lixado e eu revi-me nele naquele momento: O homem estava lixado!
O seu esgar confirmou-me a certeza indubitável...
You know what they say: takes one to know one!
E ,de repente, o meu egocentrismo transportou-me para um plano autónomo e totalmente diferente.
Aliviada constatei que eu nunca seria uma boa figura pública.
Consola-me o facto de saber que apenas tenho que disfarçar o “meu feito especial” numa esfera social pequena e familiar, unicamente em mal dissimulados ataques de fúria, seguidos obviamente de ternurentos perdões.
Imagine-se o que seria ter que fazê-lo constantemente, nos meios de comunicação social, numa campanha agressiva e num mandato que se afigura caótico.
Eu não seria capaz de me controlar...provavelmente , as minhas belas palavras levá-las-ia o vento e voavam estaladas e pontapés.
E questão que me coloco agora é: Are you ready for this Mr Sócrates?

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Em terras lusas...

A.N, 15.02.05

Até hoje não sei se acredito no milagre de Fátima.
Custa-me aceitar os fenómenos paranormais, opto pela distância e por uma fingida indiferença e assim vivo tranquilamente, sem questionar nada nem me decidir por uma qualquer posição radical.
Ainda assim, não deixam de me impressionar as procissões intermináveis de Fátima, com milhares de pessoas possuidoras de uma fé imensa, que ao contrário de mim não questionam, não põem em causa, não se mantêm indiferentes e que acima de tudo não escolhem a cadeira mais cómoda do distanciamento.
Não sei se acredito no que aconteceu na Cova de Iria, mas tal como todos os lugares associados a manifestações divinas , a energia que se sente aí é muito positiva e especial.
Poderá ser um sentimento intuído , por crescer num país onde a história dos 3 pastorinhos nos foi servida a todas as refeições.
Porém, com toda a azáfama comercial em redor do Santuário, custa-me acreditar que ali se consiga estar verdadeiramente com Deus ou sentir a sua presença.
Cepticismos à parte, emocionei-me hoje ao ver as orações fervorosas daqueles crentes que se deslocaram à Sé Nova de Coimbra para prestar a última homenagem a Lúcia, única sobrevivente dos 3, falecida (curiosamente!) a 13 de Fevereiro.
Custa-me no entanto vê-la partir e sentir que soubemos sempre tão pouco acerca dela... Uma vida de reclusão, longe de tudo e todos, sem família, sem contacto com a vida real, orando incessantemente para a salvação de um mundo que mal conheceu, por obstinação da Igreja Católica que optou por escondê-la.
Terá sido cumprida a vontade da Senhora? Ou, mais uma vez, simplesmente a vontade dos homens?

Posted by Hello

Candle light

A.N, 15.02.05
Sempre gostei de cafés, de restaurantes, esplanadas: pessoas sozinhas a ler o jornal, um livro, a beber um capuccino; amigos em conversa animada à volta de copos e petiscos; casais separados por uma garrafa de vinho e duas lasagnas. Em Copenhaga, apetece entrar em todas as portas. Porque, aqui, todas as mesas, balcões, cantos, escadas têm uma vela. Em nenhum sítio há barulho a mais ou a menos, em todo o lado se pode fumar, se pode conversar...
De repente, em dois dias seguidos, vi-me num café perfeito e num restaurante acolhedor. De repente, vi-me em frente a dois loiros (näo ao mesmo tempo) que tinham visto três morenas na vida; nórdicos puros fascinados pelos costumes Portugueses (no fundo acham que somos todos Brasileiros); nórdicos que querem saber tudo sobre os beijos e abracos que damos todos os dias; nórdicosdo outro lado da mesa, depois da vela e das rosas encarnadas...
E de repente estou desejosa
que a Sara (la otra) chegue: preciso de desviar as atencöes desta gente!

"Quem já passou por essa vida e näo viveu, pode ser mais mas sabe menos do que eu..."

A.N, 14.02.05
Há uns dias ouvi do Claes, um Dinamarquês porreiro com quem estou grande parte do meu tempo: “há países em que as pessoas acham que a sua importância no Mundo é directamente proporcional à hora a que saem do trabalho. Estranho, muito estranho.” Eu concordo. Acho, como ele, que é uma grande estupidez. Aqui o trabalho acaba, para toda a gente, às 4 da tarde. A seguir, vive-se. È é óóóóóptimo...

Talvez...Camões?

A.N, 14.02.05


Um "quase-nada" que serve de palco a muito, expressões corporais que valem mais que mil efeitos especiais, três actores que parecem uma multidão, uma brincadeira com incertezas históricas , que aos poucos e poucos vão desbravando e desmistificando a figura de Camões.
Talvez tenha nascido em Lisboa, ou quiçá em Coimbra.
Talvez o seu olho não se tenha perdido em Ceuta...
Talvez eu tenha demorado demasiado tempo a descobrir o Chapitô...
A sua forma característica e despretensiosa de ser, mas principalmente aquele o seu ambiente simultaneamente fantástico e despido de vaidades, que através de exercicios engenhosos, plenos de uma imensa critatividade e prodigiosa imaginação, fazem-nos ver muito para além do que aquilo que os nossos olhos permitem e os nossos ouvidos escutam.

Em vez de uma oração de boas noites, deixo esta sugestão de programa teatral para a semana que entra.


Encenação: John Mowat
Interpretação: Jorge Cruz, José Carlos Garcia e Rui Rebelo
CHAPITÔ de 10 a 27 de Fevereiro de 2005

Hoje acordei assim

A.N, 13.02.05
Continua a nevar furiosamente. Será que se pode saír à rua? Posso passear, fazer bolas de neve, andar de trenó? Nunca tinha acordado assim...
Há uns anos (muitos anos) recebi uma carta que me enterneceu durante dias; mais do que isso, a carta fez-me feliz, como todas as cartas que ele mandava. Começava mais ou menos assim: “Estou em casa. Sentei-me para escrever-te, aqui ao pé da janela. De repente, teias de aranha no céu, algodão branco a reflectir a luz.... De repente, devias estar aqui para ver isto. Devias estar comigo...”E eu queria tanto estar contigo... Agora, estás sempre comigo e já olhamos para as teias de aranha juntos...