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O mundo da Ch@p@

Penso, logo existo..

A.N, 07.09.06


Questionada acerca da festa Lux/Tvi, Cinha Jardim, resplandescente como sempre, não hesitou em classificar a referida festa como um dos melhores eventos do Verão de 2006.
Citando a musa dos tablóides portugueses :

"Como sabe, eu sempre gostei imenso de festas. Principalmente festas destas, com noites fantásticas como a de hoje. Não há dúvidas de que Deus existe e é português!"

Eis que Cinha, peremptória e confiante, põe fim à dúvida que atormenta a Humanidade desde os primórdios: ele existe, é português e chama-se Evaristo!

O porquê da blogosfera?

A.N, 06.09.06
Numa leve investida ao balcão de revistas do “El Corte”, folheei a revistas de todos os géneros: novelescas, cinematográficas, de viagens, de culinária, de moda... enfim, toda a panóplia do costume com a qual mergulho em tempos de ócio.
Hoje, porém, os olhos caíram-me para a revista de letra côr-de-laranja que procura dar-nos respostas para as questões existenciais do dia à dia.
Falo, pois, da revista Psicologia, famosa pelas dicas "eu-sei-a-solução-para-todos-os-teus-problemas” e pelas suas capas povoadas por jovens actores em ascensão.
O que me chamou a atenção não foi a sorridente Madalena Brandão e a sua pose descontraída ( que, diga-se, faz indiciar tudo menos uma eventual necessidade de se sentar no divã da terapia), mas sim um destaque azul escuro no canto inferior esquerdo: “O porquê da Blogosfera?”
Ávida de curiosidade e divertida com a antevisão de uma análise séria e aborrecida dos “doutores da mente”, escancarei, sem pudor, a revista na página 46.
Porém, sempre se dirá que a leitura grátis no Corte Inglés não é, propriamente, olhada com bons olhos, pelo que a minha leitura foi superficial e apressada e, consequentemente, este post de azedume corre o risco de ser injusto.

Ora bem, descobri que Portugal é o segundo país no ranking dos países com o número mais elevado de blogs per capita, que todos os dias centenas (quiçá milhares) de portugueses publicam os seus mais íntimos pensamentos em frases ora bem estruturadas, ora medíocres ora demasiado apressadas que à partida não deveriam despertar tanta curiosidade.
Tal não causa perplexidade, independemente dos juízos de valor subentendidos.

Todavia, eis que sou confrontada com um dos principais parágrafos do antigo, o qual termina com a equiparação dos blogs às portas de casa-de-banho nos tão queridos anos 90, enquanto meios de desabafo e de partilha de pensamentos íntimos, concluindo o autor da peça que estas foram por aqueles superadas no sec. XXI.
Assaltada por imagens elucidativas de verdadeiros momentos de aflição, recordei os números de telefone da “Cátia” que “loves” o “Nelson” e da Sandra que, à distância de um telefonema, “faz tudo e sem vergonha”
Enquanto bloguista orgulhosa, custa-me a aceitar a equiparação da blogosfera às mensagens hieroglíficas e de teor pornográfico às quais fomos acostumados nesses locais de charme que são os WC´s públicos (Which reminds me, de uma questão existencial que me atormentou durante a adolescência: quem é que passa tempo suficiente numa casa-de-banho pública, dispõe de um marcador e consegue inspirar-se ao ponto de escrever sequer o seu nome?).

Salvo o devido respeito, não posso concordar com tal singelo pensamento conclusivo e, de certa forma, ofensivo.
Em primeiro lugar, porque a blogosfera não eliminou, de vez, as mensagens escrevinhadas nas portas das casa-de-banho.
Elas continuam presentes e a multiplicarem-se por esse país fora. ( Ou talvez tal se deva unicamente à ignorância do poder de difusão da internet por parte dos seus autores!)
Acresce que poucos serão os bloguistas que não se ofenderão face a uma afirmação daquele teor.
Afinal, segundo a análise psicológica constante na já referida revista, os blogues não passam de meios de catarse para os seus autores e devem ser lidos, de preferência, na casa de banho, tal como se de uma mensagem marcada com uma navalha se tratasse.
Ironias à parte, o que nos distancia (ou aproxima) dos psicólogos é esta mania danada de catalogar, analisar e questionar tudo.
Escrevo porque sim, tenho um blog porque me entretém, leio os dos outros porque gosto.
Egocêntrica? Problemática? Necessitada de terapia? Talvez. Nos dias que correm, quem não reúne todos estes requisitos? Deveria ir grafittar a minha mensagem numa parede? Ou escrevinhar a minha percepção da cultura em Portugal numa porta de casa-de-banho do Colombo?
É que, no final, quem lê aquele trecho do artigo, é levado a concluir que eu, juntamente com os outros milhares de “homemade publishers”, só temos blogs porque as portas das retretes públicas não dispõem de espaço suficiente para tanta produção intelectual!

...

A.N, 06.09.06

Sentaram-se no chão sujo do recinto, a aguardar que o concerto começasse.

As músicas, sabiam-no, iriam despertar recordações que nem os próprios tinham consciência de que ainda transportam.

Quando os acordes invadiram o ar, os dois, perdidos na multidão que extasiada cantava as letras da adolescência de todos, o fosso da distância surgiu, pela primeira vez, sem se fazer anunciar, sem que algum deles se tivesse preparado para tal.

Pese embora a mesma banda sonora os tenha acompanhado até àquele dia, o percurso de cada um tinha, um dia, sido tão distinto.

E eis que essa verdade, de forma nua sem pudor, se revelava aos olhos deles através da música.

Não falaram, pois as palavras, naquele momento e perante aquelas emoções, poderiam parecer supérfluas.

Voltaram para casa e nenhum ousou mencionar o silêncio daquela noite, possível algures no meio de elevados decibéis e dos gritos de milhares de pessoas.</span>

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