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O mundo da Ch@p@

Depois de Grass

A.N, 14.11.06





No seu livro "2004-Percepções e Realidade", colocado hoje à venda , Santana conta «a verdade da história», admitindo ter cometido «erros de percurso» na sua governação.

Perante mais um relato autobiográfico, procuro justificar o despontar desenfreado desta tendência.
No que concerne a Santana Lopes, encontro três possíveis explicações para a publicação deste livro:

1) A mea culpa tornou-se fashion;
2) Mais um biscate do Pedrinho para encher o mealheiro ( depois de o ter feito à custa dos contribuintes) ou
3) Uma onda narcísica anda a vitimar as figuras públicas mundiais que realmente acreditam que o seu percurso de vida individual, efectivamente, interessa a alguém...

...

A.N, 13.11.06
"Um «ano instrutivo» escrevi. Um ano instrutivo sobre as amizades, como ficou dito, primeiro numa vaga de desilusão e amargura, depois com uma descoberta progressiva das pequenas nuances, dos pequenos gestos, dos que estão mais confortáveis ou desconfortáveis com a intimidade, dos que revelam quase secretamente a empatia, dos que são secos sendo calorosos (e o inverso), dos que são ausentes por não saberem fazer melhor, dos inesperados, dos distantes que nos são próximos e próximos que se tornaram distantes, dos que dizem apenas que estão onde sempre estiveram e que eu sei disso e que sempre que precise. E eu sei disso. E isso tem sido «instrutivo» de um modo quase comovente."


"Os Amigos" in Estado Civil.

On the other hand

A.N, 12.11.06



Com boa disposição; animação; ritmos multifacetados; boa música e grande empatia com o público, Jamie Cullum proporcionou duas horas de espectáculo light e descontraído na passada quinta-feira, no Coliseu de Lisboa.

O desafio do artista

A.N, 12.11.06
Durante alguns dias hesitei em escrever este post.
Desde os seus primórdios, é lema da casa não criticar, negativa e infundadamente quaisquer formas de arte.
Eventos ou obras que marquem pela negativa são, delicadamente, ignorados neste espaço: porque a crítica pode ser influenciada por factores exógenos subjectivos; porque a análise nem sempre é um produto de uma reflexão cuidada; porque as palavras valem o que valem e “spots” não faltam onde a crítica e o mal dizer são os tons marcantes do quotidiano.
Além de que alimentar comentários maldosos apenas gera um acréscimo de publicidade (reafirma-se o lema : “there´s no such thing as bad publicity”).
Porém, não posso deixar passar em branco a desilusão musical do ano que espero não vir a ser interpretada como uma crítica pessoal ao artista, mas sim como uma reflexão sobre a indústria musical nos dias que correm.
Ao sabor de um “click” e num espaço de tempo inferior a cinco minutos, qualquer cidadão, amador nas artes da computação, tem acesso a infindáveis sites de download gratuito de música e ao mais recente êxito de qualquer artista do planeta.
A descoberta onerosa de grupos e tendências cedeu perante o acesso gratuito via internet a recém lançamentos o que, por um lado, permitiu uma divulgação célere da cultura a uma escala mundial como, simultaneamente, abalou as estruturas da indústria discográfica e as exigências que se colocam, hoje em dia, aos artistas.
Independentemente do desvalor da conduta dos “downloadeiros” , a verdade é que enquanto as vendas decrescem, maiores são as expectativas do público consumidor da indústria musical.
Pese embora as inovações tecnológicas, os concertos ao vivo continuam a ter uma procura elevadíssima, a oferta é cada vez maior e as salas não dão vazão aos fãs.
Mas estarão os artistas a atribuir o devido valor àqueles que compram os bilhetes para os seus espectáculos, ao invés de fazer mais um download de um dvd da tournée?
Julgo que a resposta, na maioria dos casos, é negativa.
Não só os artistas não investem nos espectáculos que executam, como as alternativas que a Internet possibilita não estão a ser devidamente aproveitadas em proveito destes.
Tudo isto a propósito do concerto do Chico Buarque no passado dia 5 de Novembro.
Chico chegou e desencantou, não comunicou nem procurou criar qualquer tipo de empatia com o público, aparentando uma moléstia indisfarçável.
Sem demora, despejou o mais recente álbum sem à vontade, sem charme, sem carisma.
O sedutor do Brasil, não seduziu a audiência que, expectante, aguardava pelas melodias mais alegres e marcantes da sua longa carreira, mas que tardaram em chegar e só mostraram um ar da sua graça nos momentos finais, em encores insípidos, contrariados e arrogantes.
Os ramos de flores jaziam no chão e aí ficaram depois das luzes acessas, uma vez que Chico Buarque de Hollanda não retribuiu a cortesia de recebê-los das mãos das mulheres em delírio, não distribuiu quaisquer autógrafos e quaisquer gestos de carinho ficaram, certamente, esquecidos nas areias de Ipanema.
Após a desilusão seguiu-se a triste constatação de que a era Buarque já chegou ao fim há algum tempo.
Chico parece não ter percebido a mensagem. Talvez por desnecessidade, talvez por comodismo ou talvez por arrogância.
Não só as músicas recentes não contêm a chispa das anteriores, como o artista não se adaptou ao público do século XXI, que procura mais do que uma simples interpretação, do que um mero vislumbre dos seus ídolos.
Um público que exige música mas, mais do que isso, clama por espectáculo, por uma aproximação com o intérprete, por uma fusão com a sua obra durante o concerto, pois tudo o resto é gratuito e está online.

Inteligência emocional

A.N, 08.11.06



Flutuara sobre as sombras, sobre o negativismo, o medo e a ansiedade.

Não chorara, porém, com o coro das pré-anunciadas carpideiras, porque o optimismo que sentia, escondido no âmago do seu frágil ser, não lhe permitia essas recaídas luxuosas.

Sentia-se quase que indiferente à dor, aos cheiros, às feridas.

Mas ao mesmo tempo sabia-se capaz de desabar com um gesto de carinho, com alguma flor que lhe oferecessem, com um abraço que a aquecesse.

Sorria, porque chorar não conseguia.

Esgotada deixava-se cair na cama, sentindo-se o ser menos inteligente do planeta, por acreditar que tudo iria acabar em breve, que tudo seria resolvido com a sorte que já esquecera, mas sabia existir.

...

A.N, 07.11.06
"
Passei toda a noite, sem dormir,
vendo, sem espaço, a figura dela,
E vendo-a sempre de maneiras diferentes do que a encontro a ela.
Faço pensamentos com a recordação do que ela é quando me fala,
E em cada pensamento ela varia de acordo com a sua semelhança.
Amar é pensar.
E eu quase que me esqueço de sentir só de pensar nela.
Não sei bem o que quero, mesmo dela, e eu não penso senão nela.
Tenho uma grande distracção animada.
Quando desejo encontrá-la
Quase que prefiro não a encontrar,
Para não ter que a deixar depois.
Não sei bem o que quero, nem quero saber o que quero.
Quero só Pensar nela.
Não peço nada a ninguém, nem a ela, senão pensar."



Alberto Caeiro

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