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O mundo da Ch@p@

Súmula

A.N, 15.02.07
Let me be patient let me be kind
Make me unselfish without being blind
Though I may suffer I'll envy it not
And endure what comes
Cause he's all that I got and
tell him...
(...)

Now I may have faith to make mountains fall
But if I lack love then I am nothin' at all
I can give away everything I possess
But left without love then I have no happiness
I know I'm imperfect
& not without sin
But now that I'm older all childish things end
and tell him...

(...)

I'll never be jealous
And I won't be too proud
Cause love is not boastful
Oooh and love is not loud
Tell him I need him
Tell him I love him
Everything's gonna be alright

Now I may have wisdom and knowledge on Earth
But if I speak wrong then what is it worth?
See what we now know is nothing compared
to the love that was shown when our lives were spared
and tell him...

O Medo

A.N, 12.02.07




Em verdade temos medo.
Nascemos escuro.
As existências são poucas:
Carteiro, ditador, soldado.
Nosso destino, incompleto.

E fomos educados para o medo.
Cheiramos flores de medo.
Vestimos panos de medo.
De medo, vermelhos rios
vadeamos.

Somos apenas uns homens
e a natureza traiu-nos.
Há as árvores, as fábricas,
Doenças galopantes, fomes.

Refugiamo-nos no amor,
este célebre sentimento,
e o amor faltou: chovia,
ventava, fazia frio em São Paulo.

Fazia frio em São Paulo...
Nevava.
O medo, com sua capa,
nos dissimula e nos berça.

Fiquei com medo de ti,
meu companheiro moreno,
De nós, de vós: e de tudo.
Estou com medo da honra.

Assim nos criam burgueses,
Nosso caminho: traçado.
Por que morrer em conjunto?
E se todos nós vivêssemos?

Vem, harmonia do medo,
vem, ó terror das estradas,
susto na noite, receio
de águas poluídas. Muletas

do homem só. Ajudai-nos,
lentos poderes do láudano.
Até a canção medrosa
se parte, se transe e cala-se.

Faremos casas de medo,
duros tijolos de medo,
medrosos caules, repuxos,
ruas só de medo e calma.

E com asas de prudência,
com resplendores covardes,
atingiremos o cimo
de nossa cauta subida.

O medo, com sua física,
tanto produz: carcereiros,
edifícios, escritores,
este poema; outras vidas.

Tenhamos o maior pavor,
Os mais velhos compreendem.
O medo cristalizou-os.
Estátuas sábias, adeus.

Adeus: vamos para a frente,
recuando de olhos acesos.
Nossos filhos tão felizes...
Fiéis herdeiros do medo,

eles povoam a cidade.
Depois da cidade, o mundo.
Depois do mundo, as estrelas,
dançando o baile do medo



Carlos Drummond de Andrade

Reflexão

A.N, 11.02.07



O meu voto correspondeu à maioria expressa no referendo de hoje, mas, ainda assim, sinto-me triste por pelos resultados finais.

Perante a taxa de abstenção, parece-me que todos os debates, as opiniões, as campanhas e as ferozes convicções caíram, afinal, num vazio inaceitável que permitiu
à chuva falar mais alto e servir de justificação para o alheamento de mais de 55% do eleitorado.

Pensar que a democracia é a melhor de todos os sistemas imperfeitos, faz-me questionar se a maioria da sociedade civil, afinal, opta pelo que é melhor ou, pura e simplesmente, deixa-se arrastar pela corrente minoritária dos que se atrevem a questioná-la.

Negação

A.N, 03.02.07





Stress can be defined as the sum of physical and mental responses to an unacceptable disparity between real or imagined personal experience and personal expectations. By this definition, stress is a response which includes both physical and mental components.

Mental responses to stress include adaptive (good) stress, anxiety, and depression. Where stress enhances function (physical or mental) it may be considered good stress. However, if stress persists and is of excessive degree, it eventually leads to a need for resolution, which may lead either to anxious (escape) or depressive (withdrawal) behavior.

...

A.N, 02.02.07



“Tenho saudades nossas”, escreveu ela no verso do guardanapo que deixou junto à cafeteira.

Sempre detestara lugares comuns mas, em momentos como aquele , o recurso a eles justificava-se.

Há muito que não lhe escrevia nada romântico, hà muito que não mimava a relação.

A rotina afrouxara-lhe os hábitos, substituíra-se à saudade, tornara-se cómoda, garantida, apaziguante.

Sentia saudades deles, das trocas de cartas inspiradas, das visitas surpresa, dos presentes espontâneos e até da espera do correio.

Substituíra-se a certeza do reencontro diário à ânsia da incerteza, o silêncio às palavras que já não careciam de ser ditas, o cansaço à criatividade da paixão.

“Tenho saudades nossas” escreveu enquanto ele dormia.

>Confortada, partiu, sabendo que, à noite, ele a esperaria, como sempre, de sorriso estampado e braços acolhedores e as gargalhadas que soltariam juntos substituíram tudo o que pudesse, eventualmente, ser dito.

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