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O mundo da Ch@p@

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A.N, 07.04.10

 

 

The Sea Breeze Hotel, Corozal, Belize

Mais informações aqui.

Pontos altos: A descontração do seu dono, Gwyn; a varanda e o bar "do it yourself".

Pontos médios (!): O preço final pode não ser exactamente o acordado...but then again, all is fair in love and war.

Corozal

A.N, 06.04.10

Atravessar uma fronteira terrestre na América Central é um festival de ruído, côr, pó e bugigangas de plástico que  constituiriam verdadeiras pechinchas, não fosse o facto de esteticamente, tais utensílios e artefactos constituirem uma afronta para a visão.

Nas fronteiras da América Central tudo acontece: negoceiam-se passaportes, vistos, transportes, refeições, roupa, electrodomésticos e os mais recentes feitos da contrafacção musical.

Na fronteira entre o México e o Belize, proliferam igualmente casinos que dão o ar da sua graça numa terra de ninguém, apelidada de Zona Livre, onde turistas incautos facilmente se confundem, podendo aí permanecer horas sem se darem conta de qual a direcção correcta por onde caminhar para entrar, finalmente, no Belize.

Caminhámos de mochila às costas e pés empoeirados até chegar a um posto fronteiriço onde poucas perguntas foram feitas e um antigo autocarro escolar aguardava os transeuntes, para os transportar até Belize City (situada a 180 quilómetros da fronteira), sob um som ensurdecedor de reggaeton e com direito a inúmeras e demoradas paragens, assinaladas ou não, onde mulheres e pequenas crianças desapareciam no meio do mato.

Por uma questão estratégica, optámos por assentar arraiais em Corozal, uma cidade incaracterística no norte do Belize, onde muitos escolhem viver, dada a proximidade com o México e o acesso facilitado a bens de primeira necessidade e serviços a preços mais económicos.

O local escolhido para as duas noites destinadas a Corozal foi o Seabreeze Hotel, poiso de backpackers que aí chegam em busca da varanda com vista para a baía, a qual poderia ter-nos proporcionado um cenário idílico, caso durante a nossa estadia o sol não brilhasse de forma tão tímida e o azul da água se deixasse ver.

Saídos de um romance de Hemingway (e igualmente ébrios), reformados americanos relataram-nos histórias de vida, reais, fictícias ou enfatizadas pelo álcool, numa noite amena de brisa marítima e cerveja fresca. Ouvir relatos de sobrevivência e de aventuras de guerra, viagens marítimas e naufrágios, na varanda de uma cidade nortenha de um ex-colónia britânica do Caribe, onde o inglês dos visitantes, apesar de corresponder ao idioma oficial do país, praticamente é substituído pelo aroma doce do espanhol falado pelos seus habitantes, permitiu-nos sentir, pela primeira vez, realmente longe de casa... o que não foi necessariamente mau.

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A.N, 06.04.10

 

Escrever sobre viagens é um acto que requer tempo, maturação de ideias, de experiências, de recordações. Nos momentos imediatos a um regresso, poucas são as ideias ordenadas e muitas as emoções que abafam e dissimulam eventos, dificuldades ou aventuras.

Uma das grandes riquezas de viajar consiste precisamente na perpetuação das memórias, na surpresa de recordar um episódio meses depois ou encontrar velhos bilhetes de metro, mapas e cartões de visita, anos depois, em malas perdidas no pó da arrecadação.

E de viagem em viagem amontam-se as malas, os sacos e mochilas, os livros de notas e albuns de fotografia que um dia levaremos connosco, no momento em que abandonarmos esta existência.

Se pudesse escolher, ao longo da vida não transportaria pedras, ainda que com elas pretendamos construir um caminho. Escolheria uma mala bem grande, onde pudesse guardar todas as recordações, países, cheiros e cores que aos poucos vou tendo a sorte de coleccionar.

Playa del Carmen

A.N, 01.04.10

Era uma vez uma praia, valorizada e redescoberta por viajantes estrangeiros, de maioria europeus, situada na Península de Yucatán, no Estado de Quintana Roo.

Chamaram-lhe Playa del Carmen e para lá rumaram, de malas e bagagens, pequenos investidores que adquiriram humildes propriedades onde instalaram casas de hóspedes, pequenos restaurantes e abdicaram, como ponto de honra, da sofisticação e do turismo em massa privilegiado na vizinha Cancún.

Há cinco anos atrás, uma nova onda de investidores florescia, à medida que os primitivos venderam as suas propriedades e rumaram para paragens mais tranquilas.

 

Hoje Playa del Carmen deixou de ser o oásis de há uns anos atrás.

Caótica, barulhenta, comercial, abandonou o carácter primitivo que a caracterizava e tornou-se receptiva a spring breakers e foliões para quem a festa é uma prioridade em clima de férias.

 

O mar continua turquesa e a areia fina e branca, mas o paraíso desceu para Tulum, onde regressaremos em breve.

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A.N, 01.04.10

 

 

 

 

Todos os Domingos, no México, os cidadãos mexicanos podem visitar as pirâmides de Teotihuácan (no Estado do México, arredores da Cidade do México) de forma gratuita, contrariamente aos estrangeiros, viajantes ou turistas, a quem é cobrada uma taxa de entrada.

Algo semelhante sucede, não todos os Domingos mas todos os dias da semana, com o nosso prezado Castelo de São Jorge, onde os residentes de Lisboa se encontram isentos de pagar a taxa de entrada, contrariamente aos não residentes, a quem é cobrada uma taxa no valor de dois euros e meio, salvo erro.

Concedendo que o número de habitantes do Estado do México (sem contar com o grande Distrito Federal) é provavelmente equivalente ao número de habitantes de Portugal e que tal, em certa medida, poderá condicionar esta observação, no Domingo dia 7 de Março em que revisitei as pirâmides mais próximas da grande metrópole mexicana, a quase totalidade dos seus visitantes era mexicana. Amigos, namorados e famílias representadas por membros de diferentes gerações visitavam aquele monumento nacional, questionavam avidamente os guias, prolongavam as filas de espera e o acesso ao topo das pirâmides. Paradoxalmente, em Lisboa, e sem prejuízo do beneficio concedido aos seus residentes, as muralhas do Castelo de São Jorge não são invadidas pelos locais, nem por famílias preocupadas em conhecer e perpetuar a história da cidade que a elas pertence.

 

O dia das pirâmides marcou o primeiro de três semanas de exploração e conhecimento, de inevitável comparação entre as realidade mexicana e beliziana e aquela que  conhecemos , partilhamos e confortavelmente nos inserimos.

O dia das pirâmides foi também o dia em que  sol nos recordou da sua existência e que a temperatura ambiente honrou-nos com uns muito desejados e necessários vinte e sete graus.

 

Próxima paragem: praia.

 

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A.N, 01.04.10

 

De regresso após umas merecidas férias de sol, tequila e mar salgado, como podemos imaginar que o regresso àquela que denominam de vida real possa possa ser doce?

Como é que se pode aceitar as jornadas diárias de trabalho e o stress auto-infligido, sem se questionar a bondade dessa opção? Sem se repensar as prioridades, as ambições e o valor da vida?

 

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