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O mundo da Ch@p@

Un raio de sol

A.N, 29.10.06
Dias de sol no Outono clamam por passeios com mar à vista, por esplanadas confortáveis, por caminhadas na areia fresca e semi esquecida do verão que ainda teima em se despedir.
Em Lisboa as alternativas para um dia como este consistem em rumar em direcção à Caparica ou à linha do Estoril ou, para almas menos sensíveis à contemplação outonal, ao Centro Comercial Colombo.
Pretendo escapar aos corredores consumistas, a escolha para o almoço recaíu na Marina de Oeiras, local à partida simpático e com cheiro a maresia.
Espirituosos como todos os domingueiros antecipados, chegam à Praia da Torre desejosos por uma boa espreguiçadeira, um almoço leve e uma leitura tranquila dos livros cujo saber , de facto, não ocupa lugar durante as apressadas semanas.
Porém, o sonho rapidamente se desvanecia.
Esplanadas cheias, restaurantes fechados, serviços demorados ou mesmo inexistentes.
Após duas semanas de chuvas intensas, no momento em que o sol regressou à cidade da luz (leia-se da luz e não de luz!?), a boa intenção de desfrutá-lo juntamente com uma boa refeição torna-se uma verdadeira missão impossível.
O que só por si poderia consubstanciar uma simples situação de infortúnio, caso este não fosse um cenário repetitivo em Portugal: temos a costa, mas não sabemos explorá-la; embelezamos os estabelecimentos, mas não sabemos geri-los; temos a esplanada, mas a cozinha apresenta atrasos de 2 horas enquanto os empregados, displacentes, respondem “É que hoje, por causa do tempo, temos tido muita gente, percebe? Não damos conta do recado.”
Esta conversa, porém, não só não justifica a mediocridade do atendimento, como não serve de desculpa num país onde o sol brilha quase 300 dias por ano e os serviços não são nem satisfatórios nem profissionalmente cumpridos.
Ainda a propósito, recorde-se o tempo médio de confecção de um hambúrger num restaurante de praia ou das contas (inflacionadissimas) que sempre teimam a chegar.
Cansados, mal alimentados e com pouca leitura em dia, regressam os lisboetas ao bulício da capital, deparando-se com uma marginal paralisada por outros tantos que procuraram a tranquilidade do oceano e se depararam com o cenário caótico daqueles que gerem a costa.
Mas o lisboeta não reclama; o português não reivindica, não exige os seus direitos. Os turistas são enganados e a qualidade torna-se supérfula.
E na mentalidade que não muda, o que importa é termos dias de sol e o resto que se dane!

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