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O mundo da Ch@p@

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A.N, 16.03.11

No meu local de trabalho foi proibido o acesso ao Facebook à generalidade das pessoas .

De um dia para o outro, sem aviso, sem justificação e estranhamente sem reprimendas, o passatempo dos que insistem em não fumar e cujos corações não aguentam mais de 3 cafés por dia, ficou reduzido a cinzas. Tudo, claro está, em prol da produtividade.

O resultado, contudo, não é estonteante.

Os que fumam, começaram a fumar mais. Os amantes da cafeína, mais cedo do que o costume, têm que se retirar para casa, com sintomas de hipertensão arterial .

Os que não pertencem a esses grupos, a julgar pela amostra que tenho, tendem a sair mais tarde.

Talvez seja a ausência de notícias de vidas mais interessantes ou o desconhecimento total dos eventos a decorrer na cidade que faz com que nós, os possuidores de poucos vícios, consigamos trabalhar mais e fossilizar durante mais tempo.

E, apesar de compreender e de certa forma aplaudir, a restrição do acesso às redes sociais no local e, essencialmente, no horário de trabalho, a verdade é que um corte com o Facebook, para algumas faixas etárias e em amizades menos cuidadas, pode significar um alheamento total da realidade dos que supostamente nos rodeiam.

As notícias já não chegam por telefone; os sentimentos não se confessam por cartas; os sms são caros considerando a que podemos comunicar, de forma gratuita e eficiente através de uma parede pública. Os emails ficam sem resposta, talvez por serem longos, mas a partilha de estados de espírito procura dar resposta às questões que nos colocaram e não queremos responder.

Depois de dias de alheamento, em que o telefone não tocou e os emails consistem, essencialmente, em trabalho, acabo de ver - ou ler, consoante os casos - que a bebé de um antigo colega de escola nasceu; que as férias no Brasil da S. foram animadas e que houve festa de Carnaval no CF. Vi pessoas a fazer luto e a desinibir tristezas; pessoas a celebrar uma viagem de fim-de-semana ou pessoas a queixarem-se do frio no norte da Europa.

Vi, sem ver, pessoas.

Vi a vida que se quer primordialmente privada, ser devassada publica e voluntariamente e, apesar do desconforto dessa constatação, apercebi-me que nos dias que correm, apenas dessa forma a consigo ver.

 

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