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O mundo da Ch@p@

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A.N, 02.07.11

Vamos lá então: na realidade, num país onde os salários são dignos e proporcionalmente adaptados às tarefas, qualificações e responsabilidades de cada um, um corte especial no subsídio de Natal não faz grande diferença. Aliás, num país dessas práticas, o pagamento em dobro da remuneração mensal, por altura das festividades natalícias, é algo incompreensível.

Os salários são negociados e calculados anualmente e não numa base mensal, as leis de trabalho, beneficiando exclusivamente quem as conhece, não reduzem proporcionalmente as regalias remuneratórias e os impostos especiais não se encarregariam de fazer o resto, numa tentativa fácil e temporalmente eficaz de equilibrar as contas públicas de um Estado que nunca aprendeu a gerir-se.

 

Porém, num país mergulhado no caos económico, na inércia dos trabalhadores e na escassez de postos de trabalho e produção auto-suficiente, um imposto extraordinário admite-se, mas não se tolera por muito tempo. Em especial, quando as bases da contratação laboral se vêem alteradas substancialmente, afectando, consequentemente, as economias familiares, sejam estas planificadas ou não.

 

Pessoalmente, a ideia de contribuição colectiva não me choca. Excepto quando a colectividade é composta pelos membros de sempre, as principais riquezas continuam a beneficiar de um tratamento fiscal excepcional e não se discutem quaisquer medidas concretas de incentivo ao investimento estrangeiro e ao crescimento económico baseado na especialização da produção nacional.

 

E com isto digo que no ano em que finalmente a justiça laboral me iria fazer justiça e o bendito (mas absurdo) subsidio, agora especialmente taxado, será substancialmente diminuído e não pago na íntegra, como merecido e prometido, sinto que comprei bilhete para o comboio das cinco, mas só consegui chegar à estação às seis e meia.

 

Mas vamos ter fé. A julgar pela palavra dos que decidem, tudo isto é excepcional.