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O mundo da Ch@p@

A sensibilidade sensacionalista

A.N, 14.10.11

 

Assenta nas boas almas como um vestido de bom corte: disfarça as imperfeições, acentua a beleza e, principalmente, faz-nos sentir muito elegantes.

A sensibilidade sensacionalista ( ou publicamente partilhada), à semelhança da caridadezinha, é ainda mais bonita quando praticada a longo alcance,  brilhando mais quando os holofotes alumeiam o seu caminho. E, por isso, muitas vezes é esquecida quando surge a oportunidade de a revelar/praticar com aqueles que nos estão mais próximos.

 

Posto isto, não compreendo os profundos elogios fúnebres e comentários de pesar pelo desaparecimento de figuras públicas do mundo actual, divulgados amplamente em  redes sociais, por carpideiros que nunca tiveram o prazer de privar com os defuntos, nunca lhe ofereceram um café ou um aperto de mão firme.

Carpideiros esses que no dia a dia não apenas não acompanham o choro de quem lhes está próximo, como no turbilhão dos seus pequenos detalhes quotidianos não se mostram sensíveis ao que os rodeia, e em especial, àqueles que os rodeiam.

Apenas um ser desprovido de sensibilidade e de compaixão  poderá deixar de se pasmar e entristecer com o desaparecimento prematuro de alguém. Não consigo, porém, compreender como os valores basilares de humanidade/amizade apenas ganham importância em eventos globalmente discutidos e os gentios politicamente sensíveis se conseguem aproveitar destes tristes eventos para acariciar ainda mais o seu ego gelado e para acreditar na falsa bondade perfeita das suas pessoas.

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